A
cultura pop sempre mostrou forte influência na vida de algumas pessoas
em suas diversas formas existentes. O apreço demonstrado pelos
fãs que consomem esse produto da mídia, está explicitamente
representado no cosplay. A palavra tem um significado bem simples; em
inglês, costume (traje, fantasia) e play, roleplay (brincadeira,
interpretação). Porém a simplicidade para por aí,
e o cosplay ganha um "novo" sentido completamente diferente
daquela simples tradução.
Cheio
de sofisticação, criatividade e desenvoltura, a arte de
se fantasiar baseando-se nos mais diversos personagens de quadrinhos,
games e desenhos animados japoneses mostram o real significado da palavra
cosplay. Para os adeptos dessa prática, não basta apenas
se fantasiar e ficarem parecidos com seus personagens favoritos, é
preciso ainda interpretá-los, uma forma diferente e divertida de
interagir com outras pessoas, trazendo para a realidade um "Mundo"
de fantasia e ficção.
Pode
parecer estranho e esquisito aos olhares daqueles que nunca se quer tiveram
a curiosidade de saber um pouco sobre o cosplay, e partindo desse ponto
se colocar em uma posição preconceituosa e de deboche em
relação aos cosplayers. Fernando Siqueira é diretor
geral do Cosplay Brasil. Além de cosplayer há oito anos,
também já trabalhou como organizador e juiz por vários
anos. "Existe sim um preconceito em relação aos cosplayers
por se tratar de um hobby pouco conhecido e incomum. Mas isso tem diminuido
com a popularização e a crescente procura por informações",
comenta. Basta frequentar uma vez um desses pontos de encontros para ver
que debaixo das fantasias existem pessoas normais do dia a dia que apenas
trazem sua imaginação e criatividade para dar um toque de
charme a esse hobby, dar vida aos desenhos. Maurício Somenzari
foi Campeão Mundial de Cosplay em 2006 e o primeiro brasileiro
a ser chamado para atuar como palestrante no exterior. "Gosto muito
do palco e de todo aquele ambiente, antes de me apresentar, gosto de preparar
tudo. Monto a trilha sonora, efeitos especiais, ensaio, costuro meus próprios
trajes além de fazer meus acessórios todos; asas, armaduras,
jóias, perucas, espadas. Tudo é feito em casa, com a ajuda
do meu pai e irmã", comenta Maurício.
A
Origem
Forrest J.
Ackerman, e sua amiga Myrtle R. Douglas podem ser considerados os "criadores"
do Cosplay. Em 1939 durante a primeira Convenção de Ciência
Fictícia do Mundo (World Science Fiction Convention), ou Worldcon,
realizada em Nova Iorque, os dois chamaram a atenção de
aproximadamente 184 pessoas presentes no evento. Vestido com um rústico
traje de piloto espacial, Forrest J. Ackerman, e Myrtle R. Douglas, com
um vestido inspirado no romance clássico de H.G. Wells "The
Shape of Things to Come" a dupla deixou os resto das pessoas extasiadas
e admiradas. O resultado não poderia ser outro, no ano seguinte
dezenas de pessoas compareceram ao evento trajados com fantasias ligadas
ao mundo da ciência.
O "sucesso"
era tanto, que no mesmo ano foi criado o masquerade, um tipo de concursos
que permitia aos participantes realizar apresentações criativas
para entreter o público, todos fantasiados, é claro. Foi
assim, em um desses eventos, que o japonês Nobuyuki Takahashi em
1984 participou da convenção da Worldcon daquele ano e ficou
impressionado com toda aquela "bagunça", levando essa
nova prática ao seu país. Foi assim que o Japão começou
a entrar nessa onda de cosplay, as convenções na terra do
sol nascente, contavam com dezenas de fãs fantasiados caracterizados
como personagens de animês e mangás, passando a se tornar
um verdadeiro fenômeno no país. O sucesso foi tão
grande que começaram a surgir lojas, diversas publicações
e até profissionais especializados na prática, criando no
Japão uma verdadeira indústria de cosplay. A explosão
do animê aconteceu na década de 90, e voltou a ganhar força
nos Estados Unidos, mas, de uma forma muito mais intensa. O termo foi
rapidamente popularizado através de inúmeras convenções
que apareciam no país. Com essa "nova" mania reintroduzida
nos Estados Unidos, o número de praticantes também passou
a ser maior.
A prática
do cosplay é bem parecida nos dois país, porém não
há como haver completa semelhança entre dois países
de culturas diferentes. No Japão, as pessoas baseiam-se nos personagens
de televisão, não necessariamente de mangás ou animês,
mas em um plano geral, não costumam fazer suas próprias
fantasias nem criá-las, procuram ser os mais fieis possíveis
aos seu personagem. Os japoneses costumam se reunir em grupos durante
as convenções para tirar fotos. Existem competições
também, mas de uma forma diferente da realizada nos Estados Unidos.
Os norte-americanos continuam seguindo as tradições das
primeiras convenções da Worldcon e produzem suas próprias
fantasias, criando e inventando algo diferente para apresentar para os
demais, abrangem um público de cosplayers que não se limita
a sexo ou idade, nas convenções norte-americanas é
possível encontrar homens e mulheres de idades variadas.
<clique
na foto p/ ampliar>
No
Brasil, uma mistura Nippo-Americana
O cosplay no
Brasil, obteve uma aceitação muito positiva, principalmente
pelo grande número de nikkeis residentes no país. A febre
dos mangás e animês apareceu como uma grande explosão
da indústria televisiva que começava a testar um novo gênero
de desenhos animados, a era "Cavaleiros do Zoodiaco", "
Yu-Yu Hakusho", " DragonBall" entre muitos outros, ajudaram
e influenciaram a introduzir essa nova cultura japonesa no Brasil. Os
games também viraram mania nacional principalmente com Ash e seu
famoso bichinho Pikachu que era frequentemente visto na mão das
crianças que não largavam seu Game Boy.
A primeira
convenção de animê no país aconteceu por volta
de 1996, a Mangacon, realizada em São Paulo pela ABRADEMI - Associação
Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações.
O evento é considerado para muitos o marco inicial da difusão
do cosplay no Brasil, fazendo com que a prática se espalhasse rapidamente
por todo o país.
Como tudo ganha
um toque diferente na terra do samba, o cosplay no Brasil, importou o
que existe de mais interessante nas duas culturas pioneiras da prática,
adaptaram o masquerade utilizado nos Estados Unidos e as caracterizações
dos personagens de amines e mangás do Japão. Formando o
tradicional concurso de cosplay das convenções de animês
brasileiras. É claro que existem àqueles que procuram fazer
suas próprias fantasias e inventar algo diferente. Hoje no Brasil,
é possível encontrar lojinhas no Bairro da Liberdade, em
São Paulo, que fazem as fantasia dos personagens.
Eventos
Muito mais
que um simples campeonato de cosplay, os eventos trazem durante os vários
dias de realização, uma programação diversificada
e interessante. Além das apresentação de palco feita
pelos cosplayers que buscam uma vaga nos mais diversos torneios existentes,
grande parte dos eventos contam também com um espaço exclusivo
destinado à prática do paintball, do arco e flecha, entre
outros. Normalmente algumas bandas também são convidadas
à se apresentarem e tem o privilégio de tocar e levantar
o público presente. Para aqueles que não tem noção
da dimensão do que é um evento de cosplay, basta imaginar
uma daquelas festas de micaretas e raves que reúnem milhares de
pessoas, o Anime Friends de 2008, por exemplo, em oito dias chegou a reunir
aproximadamente 120 mil pessoas, atingindo no último dia cerca
de 25% do público total, uma verdadeira multidão. Marca
registrada e frequente na mão de diversas pessoas que transitam
pelas dependências do local, as famosas "plaquinhas" já
viraram mania entre os fãs, com frases criativas e muitas vezes
engraçadas essa é mais uma atração a parte
que deixa o evento ainda mais interessante. Pela primeira vez dentro desse
"mundo diferente", Grace França Lo Man Hung foi contratada
exclusivamente para participar do Ressaca Friends 2008. "Faço
eventos em geral, mas esse é o primeiro que faço de cosplay",
quando perguntada sobre se faria cosplay, a resposta foi simples, "Já
estou fazendo, aqui minha fantasia é a mais normal [risos]",
comenta a estudante que vestia a fantasia da Trixie, namorada do piloto
dos desenhos animados Speed Racer. Outro personagem, o Batmam, caracterizado
pelo psicólogo Alessandro Cosentino também estava lá
à trabalho e deu a sua opinião sobre o hobby. "É
um lugar muito engraçado, já fiz diversos eventos, mas esse
realmente me surpreendeu, da para perceber que tem muita gente que gosta
mesmo disso e se esforça para ficar parecido, deve dar muito trabalho",
complementa. Os dois personagens faziam parte da tenda "Clube de
Heróis" motada no Ressaca Friends 2008.
Faça
o download dos wallpapers
Os campeonatos
são diversos, a Editora JBC, é quem organiza o WCS Brasil,
campeonato que reúne 15 duplas de todo o país que competem
em busca da melhor caracterização. A melhor dupla representa
o país na final mundial que é realizada no Japão.
O Brasil já consegui vencer os eventos no Japão em 2006
com irmãos Maurício Somenzari e Mônica Somenzari e
neste ano, com Gabriel Niemietz e Jéssica Campos que também
foram campeões na etapa brasileira e mundial. Para Maurício,
a conquista do título do Campeonato Mundial de Cosplay foi uma
das suas maiores emoções como cosplayer. "Foi uma emoção
inigualável, representamos nosso país e conseguimos levá-lo
ao primeiro lugar no pódio", completa. O Animê Friends,
maior evento de animê do Brasil, conta com aproximadamente 1.200
pessoas inscritas, a organização é feita pela Yamato
Comunicações e Eventos que também realiza o Yamato
Cosplay Cup Nacional, o único evento que agrega competidores de
todas as regiões do país e o Yamato Cosplay Cup Internacional,
que conta com a participação de países como Brasil,
Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Estados Unidos, Portugal, México,
Paraguai, Peru, Venezuela e Uruguai. Além desses campeonatos, existem
ainda o World Cosplay Subimmit, o Concurso Latino-Americano de Cosplay,
o Circuito Cosplay, e o Cosplay Internacional Tour. Nas competições,
os jurados observam a atuação, semelhança com o personagem
(fantasia), criatividade e imaginação na realização
e elaboração de sua apresentação. As competições
podem ser individuais (Yamato Cosplay Cup), em duplas (World Cosplay Summit)
e em grupos (em média, de 3 a 5 pessoas). As regras diferem de
categoria para categoria e de acordo com a empresa que organiza o concurso