(Texto:
Paula Moura | Fotos: André Haranaka / Cedidas/ipcdigital.com)
André
Haranaka, 26, saiu de Okazaki (Aichi) e, depois de 37 dias, chegou à
Ilha Miyako, no arquipélago de Okinawa. Mais três dias aproveitando
a volta e ele estava de novo em casa. A diferença é que
navio e avião foram apenas meios de transporte coadjuvantes em
sua viagem: 2.571 km do caminho ele percorreu com sua bicicleta. Queria
conhecer vários lugares sem ter hora contada. De bicicleta, é
muito mais calmo, afirma o autor da façanha.
Cada
vez mais, o cicloturismo tem sido uma alternativa para explorar o lado
humano das viagens, assim como uma opção ecológica
e mais barata. Além disso, o ciclismo é um dos esportes
mais democráticos, sem restrições de idade ou peso.
Quem pensa que André é um profissional das duas rodas, engana-se.
Foi minha primeira viagem fora do caminho que fazia de casa para
a empresa, conta ele, que andava 12 km por dia nesse trajeto. A
primeira vez que peguei a estrada foi na viagem. Mas isso não
quer dizer que não houve planejamento. No caso dele, quase um ano
inteiro de preparação.
André
admite: Foi uma loucura. Mas também não tem
dúvidas de que valeu a pena. Todo dia determinava um ponto
onde queria chegar. Começava às 3h da manhã e parava
pelas 3h da tarde. Andava mais ou menos 120 km por dia, diz. Apesar
das dificuldades, tive muito prazer em padalar e conhecer os lugares de
uma forma diferente. Adorei conhecer Kobe (Hyogo), Hiroshima, o túnel
que liga Honshu a Kyushu e as ilhas ao redor de Okinawa, as praias são
recomendadíssimas! Nunca esquecerei, delicia-se com as lembranças,
muito bem registradas em mais de 400 fotos. Aliás, vê-las
foi a primeira coisa que ele fez ao chegar em casa.
Testando
os limites
André
precisou de atenção aos próprios limites durante
a viagem. Nos três primeiros dias, senti muita dor no joelho,
então forcei menos e, daí em diante, foi confortável,
conta. Levei tombos, me perdi no trajeto e as regiões montanhosas
foram muito desgastantes. Além disso, tinha o clima. Na ida até
Kagoshima, peguei muita chuva, por exemplo. Em Okinawa, sol quente.
Cuidados
e como começar
O preparador
físico Marcos Paulo Reis, técnico da seleção
brasileira de triatlo nas Olimpíadas de Sydney (2000) e Atenas
(2004), afirma que todos que iniciam uma prática esportiva devem
passar por um exame médico antes. Segundo ele, dois treinos de
40 minutos duas vezes por semana já trazem muitos benefícios.
Cardiovasculares, por ser um exercício aeróbico, que
queima gordura. Musculares, porque envolve especialmente as pernas. Além
disso, desenvolve equilíbrio, reflexo, coordenação
e é uma atividade bastante divertida, diz.
Os limites
da companheira de André também foram testados.
Teve pneu furado, momentos em que fiquei sem freio, sem corrente...
Sempre prestava atenção onde havia uma loja de esporte,
diz. De acordo com Reis, é essencial levar na bagagem uma câmara
reserva e canivete de chave allen. No caso de André, ele também
levou duas trocas de roupa, barraca, saco de dormir, mapa, GPS e, é
claro, sua câmera fotográfica.
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