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Dia Internacional da Amizade, comemorado em 20 de julho, o Nippo-Jovem
traz histórias de jovens que, mesmo com contratempos, construíram
uma bela amizade

(Texto: Vanessa
Maeji/NJ | Fotos: Divulgação)
Ter um objetivo
em comum pode ser um meio de transformar jovens universitários
de personalidades, cursos e faculdades diferentes em amigos inseparáveis.
Adriana Kameoka (Tete), Cristiane Sadakiyo (Pupu), Denise Nishii (Pepe),
Hiroki Shimizu (Pipi), Katia Takahashi (Tião), Kouei Takara (Koko),
Marcio Suenaga (Tico), Seiji Isotani (CC) e Yuri Sato (Popo) sabem disso.
Através da vontade que cada um tinha de ajudar a população
em um trabalho voluntário, os nove acabaram se conhecendo numa
das caravanas que a Abeuni (Aliança Beneficente Universitária)
promove ao longo do ano. Desde 2002, quando se conheceram, até
hoje, os amigos dizem que, apesar de não saber ao certo o que os
uniu tanto, esperam cultivar essa amizade enquanto for possível.
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A
turma que se conheceu pelo trabalho voluntário
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"Passamos
a sair juntos todo final de semana. Íamos para balada, jantar fora,
cinema, dormíamos uns nas casas dos outros. Todas as coisas que
um grupo de amigos que se gostam muito fazem", conta Tete.
Os benefícios
da amizade são inúmeros, incluindo desde aqueles momentos
inesquecíveis até a redução do risco de ataques
cardíacos, segundo estudo publicado no American Journal of Medicine
dos EUA. Segundo um estudo feito com mais de 13 mil estudantes nos EUA,
boas amizades previnem inclusive o suicídio.
De acordo com
as psicólogas Maria Lucia Camões da Costa e Maria Ioko Otani,
a amizade para os jovens adquire uma outra importância. "Ela
faz parte de seu próprio desenvolvimento. É mirando-se nos
amigos que ele [o adolescente] irá criar sua própria identidade",
afirmam. "Mesmo que os grupos mudem, sempre ficarão alguns
contatos. Quanto mais amplo o leque de amizades, melhor para os jovens",
acreditam as psicólogas.
Afinidades
e diferenças entre amigos
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Lucas,
Felipe e Gabriel
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Lucas
e seus amigos
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Alguns grupos
de amigos, como o de Lucas Gacek, 22 anos, possuem semelhanças
de gostos e personalidades. "Todos nós temos bastante afinidade
de pensamento e de gostos. Por exemplo, a faculdade. Eu, o Hugo, o Felipe
Jimenez, o Lucas Cazpsky e o Diego fizemos o mesmo curso de design digital".
Eles se conheceram no ensino fundamental e, com a mudança de escola,
Lucas teve receio de perder seus amigos. "No início, achei
que perderíamos um pouco de contato. Mas, com o passar do tempo,
acabamos nos aproximando ainda mais. Eles sempre iam nas festas do meu
novo colégio e eu nas festas do colégio deles", conta.
Outros grupos,
no entanto, fortalecem sua amizade justamente por causa das diferenças
entre os amigos. Aprender com diversas pessoas e suas reações
próprias e respeitar cada um é um aprendizado que Tete e
sua turma vem consolidando todos os dias. "Cada um tem uma personalidade
diferente do outro, meio que se completa. Um é mais bonzinho, outro
mais bravo, outro mais desligado, outro mais teimoso...", explica
a nikkei.
A freqüência
com que os amigos se encontram pode até diminuir, mas a união
não desaparece. "É difícil o grupo se juntar
inteiro como antes, mas ainda nos falamos bastante, sabemos como anda
a vida do outro. Quando nos encontramos, é como se tivéssemos
nos encontrado ontem! Quando penso na nossa amizade, me vem um filme com
gargalhadas, algumas brigas, reconciliações, momentos tristes,
algumas despedidas, músicas e risadas", diz Popo. Lucas concorda
com a jovem. "Não ficam constrangimentos, silêncio,
nada. Como se fôssemos todos uma grande familia. Não importa
o tempo, existe um laço que não desaparece".
Lucas participou
da matéria sobre amizades entre nikkeis que o Nippo-Jovem fez em
2004, junto com seus amigos Denise Nishioka, Jonas Shimizu e Camila Arashiro,
com quem estudou no ensino médio. O jovem diz que perdeu um pouco
do convívio com eles, mas sempre se encontram em churrascos e festas
de aniversários.
E qual o segredo
para manter uma amizade mesmo que cada um siga seu rumo? "Acho que
a receita seria: alegria, alegria, alegria!", diz Katia, que atualmente
mora nos EUA. "Mesmo as coisas estando pretas, a gente sempre vê
o lado bom da coisa. Ou alguém vê o lado bom para você,
seja conversando sério ou tirando sarro", avalia Seiji. "Conseguimos
manter essa amizade porque, acima de tudo, gostamos muito um do outro,
como um amor de irmão", acredita Tete. E continua. "Acho
que daqui a 15 anos ainda seremos amigos, muito amigos. Sempre vamos nos
encontrar para relembrar as histórias que passamos juntos. Quem
sabe todos nós estejamos casados e com filhos e nossos filhos não
sejam amigos como nós?".
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A
amizade pela internet
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Para
amigos, não há nem barreiras geográficas. Alguns
continuam mantendo contato mesmo que estejam até em outros
países. "Amigos ficam pra sempre. Não importa
onde vou, eles sempre estão no meu coração",
afirma Seiji, que está fazendo doutorado no Japão.
"A gente sempre se comunica por e-mail, contando as coisas
estranhas da vida. E sempre acontecem coisas muito estranhas conosco!
Por exemplo, no Japão, eu rasguei minha cabeça e tirei
uma foto só para mostrar para eles. Depois, tive uma crise
de alergia e vai outra foto", conta.
A internet,
aliás, tem desempenhado um papel cada vez mais amplo na questão
de amizade.Seja para manter contato com amigos que já se
conhecem ou como um meio de formar novas amizades, a rede trouxe
novas possibilidades. Ana Harumi Okahara é exemplo. Ana mora
no Paraná e seu melhor amigo, Ian, mora no Rio de Janeiro.
Detalhe: eles não se conhecem pessoalmente. "Ele sabe
mais coisas da minha vida do que alguém que cresceu comigo",
afirma Ana. Os dois se conheceram através do Tibia, jogo
de RPG online. Depois que Ana desistiu de jogar, eles continuaram
a se falar, via MSN e orkut. "Ele diz que é tímido
no telefone e não consegue falar", conta a jovem. "Não
me envergonho de dizer que o conheço só pela net.
Mas o conheço mais do que pessoas que o vêem todos
os dias", acredita.
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