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Bonecos
gigantes invadem a ruas de São Paulo e Mogi das Cruzes em comemoração
ao centenário da imigração japonesa
(Texto: Vanessa
Maeji/NJ | Fotos: Vanessa Maeji/NJ e Divulgação)
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Antes
- Wilson Iguti ao lado de seu boneco Yuki, feito de fibra de vidro
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Depois
- Wilson e o boneco Yuki customizado
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Você
se lembra do Cow Parade, que em 2005 espalhou vacas pintadas pelas ruas
de São Paulo? Agora é a vez de bonecos gigantes invadirem
as ruas em comemoração ao centenário da imigração
japonesa. De 18 de junho a 18 de agosto, o Japão Brasil Parade
traz 25 bonecos, que serão expostos em diversos pontos de São
Paulo e em Mogi das Cruzes, como uma homenagem um tanto inusitada ao povo
que trouxe ao país tantas influências. O idealizador do projeto,
Wilson Iguti, afirma que a iniciativa surgiu após um outro projeto
de homenagem à imigração não ter dado certo.
Como descendente, acreditava que não podia deixar passar em branco
a ocasião.
"Pensei
que não tinha nada ligado aos jovens. E a toy art está na
moda, se desenvolveu no Japão. Achei que ia ter repercussão
aqui", afirma Iguti. Em menos de dois meses, o designer de brinquedos
e bonecos infantis, que tem entre seus principais clientes os estúdios
Maurício de Sousa, Disney e Warner Bros, montou seu projeto e foi
atrás de pessoas que pudessem torná-lo real. Após
a aprovação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab,
Iguti teve de conseguir as licenças da CPPU (Comissão de
Proteção à Paisagem Urbana) para expor os bonecos
Yuki.
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No
dia 18 de junho, o grafiteiro Titi Freak customizou seu boneco ao
vivo, na Praça da Liberdade
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Segundo o designer,
os Yuki têm o mesmo formato, altura e cor branca. O que irá
diferenciar cada um será sua customização, que irá
ser feita por alguma personalidade, entre artistas plásticos, arquitetos,
grafiteiros e celebridades. Entre os convidados estão Maurício
de Sousa, Xuxa e Fundação Xuxa Meneghel, os apresentadores
Yudi Tamashiro e Sabrina Sato, o artista gráfico Elifas Andreatto,
além do próprio Iguti. Alguns bonecos serão customizados
no local ao vivo, com o público. Em 25 de junho, a grafiteira Nina
realiza a pintura de seu boneco em frente a Galeria Olido, a partir das
8h.
Após
o dia 18 de agosto, os bonecos serão expostos em shoppings de São
Paulo, até o Dia da Criança, em 12 de outubro. Em seguida,
serão leiloados e a renda arrecadada será revertida para
a Casa Hope e Abrinq.
Toy
art
"Toy art",
"designers toys" e "urban vinyl" são apenas
alguns dos nomes usados para classificar uma nova geração
de brinquedos feitos por artistas, designers e até grafiteiros.
A idéia surgiu no Japão, na década de 90, e ganhou
força durante uma feira de brinquedos em Hong Kong, em 1997, na
qual o artista chinês Michael Lau customizou alguns bonecos de ação
GI Joe, trocando as roupas militares por peças comuns. E é
justamente essa mudança de contexto que caracteriza um dos aspectos
da toy art. Esta nova arte é uma manifestação contemporânea
que utiliza um outro material no caso, o brinquedo , juntando
elementos de moda, do ambiente urbano e de design. Os bonecos são
variados e feitos de vários materiais, como vinil e pelúcia,
que remetem à infância, mas possuem um quê de ironia
e humor.
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Boneco
Toy Art, da loja Plastik
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Apesar da toy
art ser um movimento muito recente, com cerca de dez anos, a fabricação
de bonecos tem longa data. No Japão, em meados de 1960, a produção
de bonecos de plásticos já aparecia, impulsionada pelos
personagens de televisão, mas não estava ligada com o culto
artístico e inovador. Posteriormente, com o advento da toy art,
essa coleção de brinquedos infantis se tornou uma de suas
vertentes, que se popularizou principalmente fora do arquipélago.
Aguns personagens
têm origens nos mangás, animações, quadrinhos
e até bandas musicais. Outros, entretanto, nasceram para ser toys,
sem ter história concreta por trás de sua criação,
o que abre espaço para diversas lendas e interpretações.
Há, por exemplo, o Munny, um toy DIY ("Do it yourself",
ou "faça você mesmo"), que é totalmente
branco, preto ou GID (que brilha no escuro), para que as pessoas façam
suas próprias customizações. É uma forma de
colecionadores terem suas versões exclusivas de Toys.
Exclusividade,
aliás, é algo que diferencia a toy art dos bonecos comuns.
A tiragem limitada, os dizeres de "This is not a toy!" nas caixas
e o caráter artístico também são pontos diferenciais
dos toys. A forma como o boneco é pintado adquire uma importância
muito grande na arte, pois torna a peça única, mesmo que
seja de um mesmo personagem. Uma vez que o toy é produzido e vendido,
ele deixará de existir no mercado. Segundo a loja Plastik, especializada
nesses brinquedos, uma segunda tiragem é "algo quase impensável,
pois trai todo o conceito do toy art". O limite de itens não
é exagero. Há bonecos, como o "Mao Bust" e "Artists
Series II", com apenas 100 unidades cada o mundo inteiro. Há
casos até mais extremos: o Dunny Long Tailed Night, lançado
recentemente nos EUA, teve uma tiragem de apenas 10 itens.
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Estudo
de customização de boneco
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No Brasil,
a toy art surgiu em 2005. Em 2006, com inauguração da Plastik,
estabelecimento voltado ao universo dos toys, é que a arte se propagou,
segundo afirma Nina Sander, proprietária da loja. Segundo ela,
a Plastik é a "única loja especializada em toy art
na América Latina". Nina cita alguns dos artistas importantes
para esta arte como Gary Baseman, TILT, Peter Fowler, Tara McPherson,
Frank Kosik, Michael Lau, Dalek e os brasileiros Tosco Toys, Ash, Miniogros
e Sincronica e afirmou ser a responsável pela escolha de todos
os produtos da loja algo que envolve "muita pesquisa"
e a busca por trabalhar com produtos de tiragem limitadas. "Quanto
mais raro, melhor!", enfatiza.
Porém,
para os bolsos mais desavisados, a arte de colecionar toys pode sair além
do orçamento previsto. O preço médio de um toy está
na faixa dos R$ 100, com bonecos mais baratos, como o Munny Zipper Pulls,
por R$ 25. No entanto, há também aqueles itens que atingem
grandes valores. Na Plastik, o boneco mais caro chega a custar R$ 1,8
mil. O público comprador de Toy Art é formado em sua maior
parte por homens, cuja idade média varia, atingindo mais os adultos.
Para quem está
iniciando na toy art e quer começar a entender essa nova cultura,
Nina dá a dica: a série Blindbox. A pessoa compra caixinhas
lacradas, sem saber que boneco adquiriu. Em um dos lados da caixa, é
possível ver quais são as possibilidades. É uma maneira
de instigar o cliente e também de aumentar o interesse na aquisição
de novos itens e, de preferência, exclusivos.
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A
produção de um boneco
<clique na foto para ampliar>
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Etapa
1
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Etapa
2
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Etapa
3
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Etapa
4
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Etapa
5
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Etapa
6
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