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Centenário da imigração japonesa - Parte 2

Depoimentos de jovens nikkeis possuem detalhes
emocionantes sobre a importância das histórias de sua família

(Texto: Vanessa Maeji/NJ | Fotos: Arquivo Pessoal)

Lidar com palavras é parte do aprendizado na profissão da jornalista Patrícia Kishimoto, 24 anos. No entanto, ela não poderia imaginar que através delas aprenderia também a respeitar os imigrantes japoneses, sobretudo seus antepassados. Seu bisavô, Koichi Kishimoto, foi um dos fundadores da primeira escola para imigrantes japoneses em São Paulo numa época em que se era proibido ministrar aulas no idioma. Foi preso e durante este tempo ouviu relatos da forma como os japoneses eram tratados pela polícia, histórias que posteriormente se transformaram em livro, ainda não publicado.

Outro que teve uma dificuldade inicial quanto a cultura foi Lucas Kenzo Dakuzaku. O jovem de apenas 17 anos não entendia por que a cultura que havia aprendido desde pequeno era um pouco diferente da cultura japonesa que via na televisão. Somente após algum tempo o nikkei descobriu que era descendente de okinawanos, cujos costumes e cultura diferem do japonês tradicional. Afastado durante alguns anos de seu lado nipônico, seu interesse surgiu por causa da música. Conta que quando era pequeno e estava agitado, seu pai colocava música okinawana no rádio. "Eu me acalmava e dormia", relembra. Após certa insistência dos pais e relutância dele, Lucas começou a tocar sanshin. Hoje ele afirma gostar muito da prática do instrumento e conta ter feito muitas amizades por causa dele.

Daniela Mitie Shimozono faz a ressalva que ainda existe um certo preconceito com japoneses e descendentes, mesmo com todo o espaço que já conseguiram conquistar. Daniela foi ao Japão, na condição de dekassegui, e ter vivido as dificuldades decorrentes dessa situação a fez acreditar que essa discriminação não deveria existir. "Somos todos iguais e devemos ser tratados igualmente", declara. Influenciada pela cultura japonesa, a jovem conta adorar fazer origami, ir a eventos de animê, ler mangás, ouvir j-pop e afirma que esse interesse foi um dos motivos que a motivou a se inscrever para trabalhar como voluntária nas comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.

Confira abaixo mais depoimentos de jovens nikkeis ao Nippo-Jovem a respeito da história de suas famílias e sua relação com a cultura japonesa.

"Tinha vergonha de ter a cara de japa e não fazer parte de nada"
Maya Hasegawa
 
Família do pai de Maya Hasegawa
 
Família materna de Maya em plantação

"Sem saber quase nada, mas com a promessa do governo de uma vida melhor que meus avós paternos e maternos vieram ao Brasil. No começo da adolescência, Kyoichi Hasegawa desembarcou em Santos em 1929, com os pais e irmãos. Casou-se com Fuku, e fazia questão de dizer que não havia sido por miai. Meu pai, Takessi Hasegawa, foi o segundo dos quatro filhos que tiveram. Do lado materno, Sadao Hasegawa, sua esposa Yae e seu primogênito Hasshu desembarcaram em 1929, rumo a Bauru. Anos depois, Sadao decidiu deixar a vida de agricultor e tentar novas oportunidades em São Paulo. O trabalho no consulado resultava em visita quase diárias de policiais em sua residência. Era a época da guerra e ele era considerado como suspeito de espionagem. Cansado de perseguições, mudou-se para Pindamonhangaba, onde minha mãe, Célia, nasceu. Sadao decide voltar a São Paulo e se engaja nas comemorações do cinqüentenário da imigração japonesa e parte como recenseador Brasil afora. É nesse momento que meus avôs se conhecem, criam vínculo de amizade devido à semelhança de sobrenome, apesar de não serem parentes, e por serem da mesma província, Fukushima. Desde os quatro anos faço atividades ligadas às artes, como atuar, cantar e dançar. Entre alguns trabalhos está 'Haru e Natsu', como a personagem Sachi Nakayama. Comecei a freqüentar o Seinen Bunkyo, pois via o quanto estava afastada de minhas raízes. Tinha vergonha de ter a cara de japa e não fazer parte de nada. Hoje, já com o bastão passado, tenho investido mais tempo no grupo Ishin de Yosakoi Soran. Minhas expectativas quanto ao centenário são mais voltadas para o que virá depois das comemorações. Afinal, o que unirá a comunidade nipo-brasileira? O importante é manter a união dos interessados pela cultura nipo-brasileira. Caso contrário, estaremos fadados à miscigenação entre as mais diversas raças do Brasil e provavelmente, ao desaparecimento das entidades – até das 'carinhas de olhos puxados'."

Maya Hasegawa, 29 anos,
farmacêutica-bioquímica, atriz e cantora

-
"Pude compreender o esforço e dedicação de meus antepassados"
"Meu ditchan e batchan por parte de mãe, Seiko Sakai e Sadayasu Nemoto, são originários de Fukuoka e emigraram do Japão quanto tinham 18 e 17 anos, no pós-guerra. Eles se conheceram no Brasil por meio de um casamento arranjado e, ainda jovens, minha avó enfermeira e meu avô ferramenteiro se uniram na cidade de Mogi das Cruzes. Anos depois se mudaram para São Paulo, compondo uma família com 4 filhos. Apesar das dificuldades, conseguiram criar e educar seus filhos às custas de muito esforço. A educação passada aos filhos teve importantes influências nipônicas – todos os filhos têm conhecimentos do idioma. Muitos hábitos alimentares foram mantidos e muito dos costumes também. Ja meus ditchan e batchan por parte de pai, Paulo Kamisaki (de Pompéia) e Fumie Okuma (de Borá), são brasileiros. Eles se conheceram em Tupã, se casaram e trabalharam na lavoura. Tiveram cinco filhos. Trabalhando na lavoura obtinham muito pouco e por isso se mudaram. Em São Paulo, trabalharam duro e conseguiram proporcionar uma melhor formação escolar aos seus filhos. Por ser já a terceira geração no Brasil, a educação passada a eles teve poucas influências nipônicas. Muito mudou nestes cem anos que se passaram. As condições de trabalho, as oportunidades e os pontos de vista. A nova geração de descendentes é agora mais aberta a outras culturas, tem acesso ao ensino superior e cada vez mais atinge posições de destaque na sociedade. Um bom exemplo dessa inclusão é a minha sala de aula, em Engenharia de Produção na USP, em que pelo menos 20% da sala é de descendente de japoneses"

Fernando Yutaka Kamisaki, 21 anos,
estudante de Engenharia de Produção na USP

-
"Tenho orgulho deles"
Avós de Jéssica Yuri Aoki Nascimento
 
Jéssica

"Todo contato que tive desde pequena com a cultura japonesa veio dos meus avós maternos. Ambos vieram do Japão ainda jovens: meu avô, Kazuo Aoki, tinha apenas 12 anos quando chegou com sua família; minha avó, Massako Murata, chegou ao Brasil aos cinco anos. Como a maioria dos imigrantes, eles passaram muitas dificuldades, tanto na adaptação à cultura tupiniquim quanto na discriminação e na própria sobrevivência. Meu avô contava que quando chegou aqui tinha de acordar cedo todos os dias bem cedo para trabalhar com seu pai e irmãos na roça – que não era deles – e somente depois de muitos anos seu pai conseguiu um pedaço de terra. Conseguiram superar tudo isso e construíram não somente um lar no país, mas uma grande família. Aos 83 anos, meu avô ainda fortalece nossas raízes culturais e participa de várias atividades da comunidade nipo-brasileira. Ele canta em karaokê, escreve poemas em japonês e até já ganhou prêmios por eles. Aprendemos algumas palavras da língua japonesa ouvindo meus avós conversarem entre si. Era até engraçado quando eles esqueciam e misturavam japonês e português. Tenho orgulho da história dos meus antepassados. Acredito que o centenário da imigração japonesa celebra tudo o que esse povo trouxe de bom para nós, brasileiros, que estamos cientes que foi essa mistura de raças, etnias e costumes que fez o Brasil ser o que é hoje"

Jéssica Yuri Aoki Nascimento, 22 anos,
estudante do 3º ano de Relações Públicas na Universidade de
São Paulo (USP) e finalista do Concurso Miss Centenário Brasil-Japão

-
"Através da música aprendi a não desistir dos meu sonhos"
Lucas e o tio que toca sanshin

"Sou yonsei e desde criança tive contato com a cultura japonesa, em especial com a de Okinawa. Minha batian conta que desde dois ou três anos já me interessava pela música de Okinawa. Na época, um tio de São Paulo vinha com freqüência para Araraquara e trazia consigo o sanshin. Ele passava o dia conversando e dedilhando as cordas daquele belo instrumento. Comecei a freqüentar a escola e com amigos brasileiros deixei esse lado nipônico meio de lado. Quando tinha sete anos, ouvi "Shima Uta" num musical do canal japonês e me interessei bastante pela música. Como esses musicais vinham com a letra da música, comecei a associar o som com o símbolo. Me senti animado a aprender japonês e cada semana assistia a um novo musical para aumentar minha lista de símbolos. Mais ou menos nessa época, descobri a diferença de Okinawa com o Japão porque nesses musicais só tocava enka – e aquele minyo com sanshin que eu estava acostumado a ouvir nunca havia aparecido na TV. Percebi também que o japonês que eu pensava ser japonês era, na verdade, uma bela mistura de nihongo com okinawago. Meus pais me incentivaram a fazer aulas de sanshin. No começo estava com vergonha porque não conhecia ninguém. À medida que fui pegando gosto pelo instrumento, fui fazendo amizades com as pessoas. Já toco há cinco anos. Foi através do instrumento que conheci melhor a cultura de meus antepassados, aprendi a ser mais responsável e a não desistir dos meus sonhos. Melhor do que ter traços orientais e o coração brasileiro é saber que a façanha dos imigrantes não foi em vão porque, hoje, japoneses e brasileiros vão comemorar juntos os cem anos da imigração"

Lucas Kenzo Dakuzaku, 17 anos,
estudante do 3º ano do Ensino Médio

-
"Ainda há preconceito"
"Meu avô materno, que não cheguei a conhecer, veio de Yamanashi e minha avó materna de Fukushima, com os dois irmãos, em 1938. Já casados, eles moraram um tempo em Registro (SP) e trabalharam como empregados numa fazenda de chá. Quando acabava o serviço num lugar, eles faziam as malas e iam com os filhos para outro lugar que tivesse serviço e moradia. Minha mãe contava que quando moravam em Registro, ela e os irmãos dela ainda eram crianças, mas mesmo assim tinham de trabalhar para ajudar os pais com o sustento da casa, e que lá havia muitas famílias de imigrantes japoneses na mesma situação. Ela e os irmão tiveram uma infância precária e por isso até hoje nos ensina a não desperdiçar as coisas para não faltar no futuro. Tanto meus avós maternos como os paternos só sabiam falar japonês, não aprenderam português e se casaram por miai. Morei no Japão quando tinha 15 anos e voltei há mais ou menos 2 meses, pois pretendo concluir os estudos. Trabalhei como dekassegui e fui com minha mãe e meu irmão, que ainda estão lá. Me inscrevi para ser voluntária no evento que vai ter no Anhembi sobre os cem anos de imigração japonesa. Nunca participei como voluntária antes, mas tenho vontade"

Daniela Mitie Shimozono, 20 anos, estudante

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"Uso a história deles como exemplo de determinação e disciplina"


Família Kishimoto

A jornalista Patricia Kishimoto

"Meu bisavô, Koichi Kishimoto, e minha bisavó, Hagino, chegaram ao Brasil na década de 20, já casados e com filhos. Em 1932, com as relações diplomáticas estremecidas entre Brasil e Japão, muitos japoneses foram presos apenas por serem japoneses. E com meu bisavô não foi diferente. Até porque ele era professor que ministrava aulas em japonês – o que era proibido pelo governo brasileiro – e era um dos fundadores da primeira escola para imigrantes japoneses em São Paulo. Minha bisavó foi obrigada a mudar de endereço para garantir a segurança dos filhos. Na época, as famílias japonesas se ajudavam bastante. Durante os dias em que ficou preso, meu bisavô ouviu diversos relatos de seus compatriotas, da forma que eram tratados pela polícia. Mais tarde, ele tentou transformar os relatos em um livro em japonês, mas foi censurado pelo governo. Não tive a chance de conhecê-lo, conheci somente minha bisavó, mas tenho um orgulho enorme ao ouvir as histórias que meu avô me conta. E mais orgulho ainda em saber que uma rua em Diadema – a Professor Koichi Kishimoto, próxima ao zoológico – homenageia o patriarca da família Kishimoto. Em 2005, tive a chance de ler o livro, já traduzido, que estava em poder do meu avô e seus irmãos para que pudessem revisar. Pelo que li, a vida era bem complicada. Eles tiveram as mesmas dificuldades da maioria dos imigrantes: com o clima, o idioma e a cultura. Mas se hoje o estado de São Paulo é o que é, deve muito ao trabalho dos japoneses, que cuidaram destas terras com muito esmero. Uso a história de vida deles como exemplo de determinação e disciplina."

Patrícia Kishimoto, 24 anos, jornalista

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"Carrego os ensinamentos da tradição japonesa"
Família Yabumoto - Avós maternos de Regina com sua bisavó Omoto
Família de Regina Nishitani

Regina Nishitani

"Em 1929, meus bisavós paternos Toshiji e Mitsu trazendo sete filhos chegaram ao Porto de Santos. Os irmãos mais velhos tinham de trabalhar na roça e não tiveram a mesma oportunidade de estudar como meu avô, que conseguiu freqüentar a escola até a terceira série primária. Devido à dificuldade de comunicação que ele passou, seu grande objetivo foi estimular e encaminhar seus filhos nos estudos. Meus avós maternos, Tomishigue e Mitono, vieram solteiros, em 1914, acompanhados de seus pais. A família foi levada para uma fazenda no interior de São Paulo. Com apenas sete dias, várias pessoas adoeceram de tifo – entre elas meu bisavô, que ficou internado por um mês, onde veio a falecer. Conta minha mãe que como meu bisavô era uma das poucas pessoas que trouxeram dinheiro do Japão, sua internação tinha intuito de dar lucro ao hospital. Nas visitas de minha bisavó, ele só reclamava que estava com muita fome. Com o pouco dinheiro que restava, ela comprava frutas, já que a alimentação brasileira era muito estranha para o paladar japonês. Somente após o falecimento dele os familiares tomaram conhecimento de que as frutas eram distribuídas aos filhos dos médicos e enfermeiros. Nessa situação humilhante, a família diz que a causa principal de sua morte foi a fome. A expectativa de dias melhores rapidamente se desfazia. O Consulado ofereceu ajuda para encaminhá-los de volta para o Japão, mas minha bisavó decidiu que não voltaria atrás numa decisão que havia sido tomada com o marido. Os brasileiros ofereceram a ela trabalho de engarrafamento de água mineral, e ela descobriu que seu ganho era irrisório comparado ao trabalho na lavoura de café. Então resolveu enfrentar o serviço. Meu avô, ao ver a triste situação de sua mãe, decidiu com apenas 13 anos fazer as vezes de seu pai, em busca da sobrevivência da sua mãe e irmãs. Meu avô se casou com minha avó Mitono por volta de 1943. Com ela, teve oito filhos, sendo minha mãe Assaco a sétima filha. Vítima de aneurisma da aorta, em conseqüência também de seu grande esforço físico desde a infância, meu avô faleceu em 1988, deixando todos os filhos casados, bem-sucedidos empresários voltados para a área de negócios. Como exemplo de vida, minha mãe constantemente usa a expressão "se vira", legado deixado pelo avô, que ensinou a não temer nada, fazer e aprender.

Regina Nishitani, 19 anos, estudante de Medicina na
Universidade Federal deMato Grosso (UFMT) e
finalista do concurso Miss Centenário Brasil-Japão

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"Muito do que sou hoje devo aos meus avós"
Família Yasuda

"Minha batchan veio para cá com quatro anos de idade, em 1926, chegando com seus pais, um tio e um irmão. Já meu ditchan chegou dois anos antes, com oito anos, junto de seus pais, um irmão e uma irmã. Por terem vindo no período entreguerras, quando chegaram aqui, já havia alguma estrutura. Não que a barreira do idioma, as condições precárias de trabalho, a exploração dos donos da terra tivessem diminuído. Mas como outros japoneses já estavam instalados, talvez o isolamento dos primeiros imigrantes não fora tão sentido por eles. Desde que chegou, meu ditchan foi trabalhar na lavoura. Minha avó ajudava nas tarefas domésticas desde muito jovem, além de cuidar das primas e trabalhar na colheita de algodão. Só se conheceram quando o casamento foi arranjado, num miai feito pelo tio dela, já que meu bisavô morreu muito cedo e o tio foi quem ficou como responsável pela família. Segundo minha avó falava, ela só conheceu o marido no dia do casamento, que aconteceu em 1945, em meio ainda às incertezas da Segunda Guerra Mundial. Meu ditchan contava que ele fora perseguido neste período e os japoneses eram obrigados a deixar de falar o próprio idioma sob pena de prisão. Contou que ele mesmo chegou a ser levado pela polícia por supostamente conspirar contra os Aliados. Tiveram seis filhos. Embora eles nunca tivessem tido a chance de estudar, todos os quatro filhos se formaram. De tudo o que deixaram, o mais valioso foram seus ensinamentos: se hoje sou alguém, devo muito a eles. Meu avô nunca estudou, mas era exímio em inúmeras áreas: marcenaria, funilaria, carpintaria... E ninguém cozinha como minha avó! Como meus pais trabalhavam, desde pequena foram meus avós que cuidaram de mim. Por causa deles que aprendi o pouco que sei de nihongo, o respeito que se deve ter pelos mais velhos e que sabedoria é algo que só o tempo pode trazer. Músicas japonesas, kaikan, filmes, desenhos, religião – sem falar na culinária, é claro –, tudo que eu vivenciei quando pequena se perpetuou não só nas minhas lembranças como também em meus gostos. Continuo amando cartoons, animês, música, filmes e procuro entender melhor as crenças religiosas que eles tinham"

Walerye Sumiko Yasuda, 28 anos, advogada e professora

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