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Nipo-brasileiros são exemplos no trabalho voluntário
De acordo com a ONU, o número dobrou em dois anos no país
(Texto: Kátia Kazedani/NJ | Foto: Arquivo Pessoal)

O Brasil tem melhorado no quesito trabalho voluntário. De acordo com a ONU, em dois anos o número de brasileiros voluntários dobrou - em 2000 eram 20 milhões, e em 2002 saltou para 42 milhões. No entanto, o país ainda está longe de ser referência mundial. Um exemplo disso é que apenas 7% dos jovens brasileiros são voluntários, contra 62% dos Estados Unidos.

Mas as estatísticas podem mudar, se os mais novos pensarem como a estudante de medicina Haydee Sayuri Hirai, de 21 anos. A nikkei começou a ser voluntária quando tinha apenas 15 anos. "O meu interesse surgiu após ler uma reportagem e acessar sites relacionados a esse tipo de atividade", explica a universitária que começou na creche (LAC - Vila Madalena), e posteriormente, passou a dar aulas de inglês em colégio público.

Segundo ela, a recompensa é maior do que o tempo que ela dedica ao voluntariado. "Percebi que o que doamos é muito pouco perto de tudo o que recebemos e aprendemos. É gratificante ver as pessoas atingindo seus sonhos e objetivos, e saber que você tem uma pequena parcela nessa realização. E, realmente, há coisas que não tem preço", disse Haydee.

Em 2007, a paulistana deixou a capital para estudar Medicina na Unesp de Botucatu, interior de São Paulo. Apesar da carga horária de aulas e de estar em outra cidade, a nikkei não deixou de lado o trabalho voluntário. "Tudo é uma questão de boa vontade e organização. Além de dar aulas de inglês de 15 em 15 dias em um cursinho, ainda participo de projetos como Médicos da Alegria, Visita na Apae, Biblioteca sobre Rodas, entre outros", afirmou Haydee, que mesmo depois de formada pretende continuar ajudando. "Ainda não sei o que vou fazer, pois só o tempo e as oportunidades dirão. Mas sempre quero ajudar, seja atendendo em algum projeto ou me envolvendo em outra área que não seja a Medicina", completou.

Palestra voluntária

Existem diversas maneiras de ser voluntário. Uma delas é abrir as portas dessa atividade para outros. Assim é o trabalho do 2º tenente do exército e administrador Rafael Barreiro Takei. Aos 22 anos, ele ministra a palestra Voluntariado e Transformação Social. "O objetivo é demonstrar a pessoa que quer começar a fazer trabalho voluntário o quanto ele é primordial na transformação social e apresentar diferentes maneiras de realizar o trabalho voluntário", explicou Takei, que desde os 16 anos atua como voluntário.


Takei durante a palestra Voluntariado e Transformação Social

Segundo ele, esse tipo de atividade pode ajudar a melhorar a situação do mundo. "Cada pessoa encontra seu próprio motivo para fazer trabalho voluntário, mas todos acabam descobrindo que esse é um excelente caminho para uma vida e um mundo melhor", afirmou. E, para aqueles que querem ingressar em trabalhos voluntários, Takei deixa um recado: "Perseverança. Essa é a palavra-chave para o sucesso em causas sociais. Apesar de todo altruísmo, essas causas requerem a superação de grandes desafios e o voluntário não pode desanimar, pois sem sua fé nada acontece. Quanto maior for a causa a ser defendida e o impacto almejado, maiores serão os desafios impostos", completou.

 
Voluntariado ganha cada vez mais adeptos

Voluntário é o jovem, adulto ou idoso que, devido a seu interesse pessoal e seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividade, organizadas ou não, de bem estar social ou outros campos". Essa é a definição da ONU (Organização das Nações Unidas) para esse tipo de atividade que cada vez mais ganha adeptos.

No início, o trabalho voluntário era associado à caridade, atividades religiosas ou, até mesmo, realizado com algum tipo de interesse pessoal. No entanto, esse significado vem mudando com as transformações e valores da sociedade. Em entrevista ao Informativo Rede Vale Cidadania, da Fundação Acesita, o autor do livro Mulheres Voluntárias: Experiências Empreendedoras no Terceiro Setor, Fábio Ribas, explica que isso é conseqüência de inúmeros fenômenos, inclusive político.

Segundo Ribas, pelo voluntariado as pessoas podem não apenas ajudar a construir uma sociedade mais equilibrada, mas também encontrar uma alternativa ao egoísmo que toma conta do mundo.

Apesar do trabalho voluntário ter se iniciado no Brasil no século 16 - quando organizações religiosas, na sua maioria católicas, introduziram esse tipo de atividade em instituições ligadas à saúde, as chamadas Santas Casas -, até hoje algumas pessoas não sabem como podem ajudar.

De acordo com a CPM (Centro de Pesquisa Motivacional), 54% dos jovens brasileiros querem ser voluntários, mas não sabem como. E, para tentar solucionar essas dúvidas, em 1997, foi criado o site Voluntários (www.voluntarios.com.br), que permite ao interessado se cadastrar e escolher em qual entidade ele gostaria de trabalhar. Hoje, o site reúne mais de 45 mil inscrições.

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