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Em busca do sucesso
Nikkeis lutam para alcançar
um lugar no mundo da música
Reportagem: Redação NJ | Fotos: Arquivo pessoal

O início de uma “banda de garagem”, como é conhecido este grupo independente e underground, normalmente, é o mesmo: numa roda de amigos como uma brincadeira. Enquanto um se arrisca na bateria, outros vão para a guitarra e para o vocal. E até que o grupo entre em uma harmonia musical, hajam ouvidos!

A falta de tempo para os ensaios misturada à falta de instrumentos fazem com que muitos grupos desistam no meio do caminho. Mas a história das bandas a seguir tomou um caminho diferente.

Três músicos de estúdio, cada um com seus próprios trabalhos, resolveram se unir e fundar a banda Projeto Paralelo, com rock de arranjos e letras trabalhados em conjunto, além de muitas idéias novas.

A banda nasceu há mais quatro anos da união de Zak Canário (guitarra e voz), Caio Pavão (bateria) e Edu Bass (baixo). Com turnês realizadas em mais de 40 cidades, o Projeto Paralelo inovou até a forma de mostrar seu trabalho ao público. Em julho de 2006 lançaram o videoclipe em quadrinhos da música "X-Girl". "Achamos que era uma maneira diferente de relacionar a música à letra, de uma forma divertida, artística e dentro do nosso orçamento", diz Zak Canário, que possui influências musicais de Pink Floyd, Duran Duran, New Order, Metallica, música clássica em geral e música eletrônica.

Nikkei do grupo, Zak é, segundo os outros integrantes, "made in Japan". Mesmo com cursos de áudio e música feitos nos Estados Unidos entre 1995 e 2002, sua relação com o Japão é bem próxima: Zak é budista, entende bem o japonês e já foi várias vezes ao país.

Ele também cursou Direito, mas acabou seguindo a carreira musical. "A parte mais difícil é conquistar o público e abrir as portas. Também é difícil tocar em São Paulo fazendo música própria, já que as casas só querem bandas covers", afirma.


Beatles influencia banda Tarifa Zero

"O Seu Caminho” é o primeiro single da banda Tarifa Zero
Dificuldades
A área musical é ainda pouco reconhecida no Brasil. Existem também preconceitos quanto à profissão. A impressão para muitos, quando se fala de música, é "Ah, esse é vagabundo, não quer saber de trabalhar", ou mesmo, "Trabalhar com música não leva a nada". Realmente, viver só de música é bem difícil. Geralmente, todos trabalham em outras áreas, como é caso da Tarifa Zero.

O Orkut foi a grande ferramenta para dar início à banda de rock Tarifa Zero, em janeiro de 2006. Formada por André Cardozo (baixo), Alexandre Nascimento (bateria), Gérson Morales (guitarrista) e Ricardo Koike (vocal), a banda já se apresentou nos bares Willi Willie, Zinc Rock Bar e Notre Dame. O Beatles é uma forte influência para a banda. "Mas também encontramos inspirações nos grupos Oasis, Deep Purple, Audioslave, Pearl Jam, e nacionais como Capital Inicial, Legião Urbana, Titãs" , contou Ricardo.

O interesse de Ricardo Koike pela música começou por causa da admiração do pai ao tocar piano. Aos 17 anos, ele aprendeu a tocar teclado. A partir daí, não parou mais de aprender instrumentos novos e saber mais sobre música. Foi então que surgiu a idéia de começar a fazer aulas de canto.


Banda consolidada
 

Com muito esforço e dedicação, a banda CPM 22 conseguiu infiltrar no meio musical com sucesso. Para chegar entre as mais tocadas nas rádios brasileiras, a banda enfrentou inúmeros obstáculos. Durante anos, encontraram as mesmas dificuldades dos grupos acima: falta de dinheiro para comprar instrumentos e de lugar e tempo disponível para ensaiar. “Era difícil encontrar um lugar legal para ensaiar porque os vizinhos ficavam reclamando do barulho”, lembra o baterista da banda, Ricardo di Roberto, o Japinha.

A banda só conseguiu gravar sua primeira demo-tape em 98. O álbum se esgotou rapidamente, chegando a ter 4 mil cópias vendidas em todo o País. A partir daí, do anonimato ao estrelato foi um piscar de olhos. Dois anos depois, em 2000, o CPM 22 já estava gravando seu primeiro álbum independente: “A Alguns Quilômetros de Lugar Nenhum”. E, em 2001, lançaram pela Arsenal Music o álbum “CPM 22”, que durante muitas semanas esteve nas paradas com a música “Regina Let’s Go”. Este álbum fez tanto sucesso que chegou a ganhar até um disco de ouro, atingindo a marca de 100 mil cópias vendidas.

Dicas do Japinha

"É muito importante a pessoa continuar os estudos, porque isso vai dar à ela um equilíbrio e uma visão de mundo. Mas é preciso também ensaiar muito e, principalmente, ter uma retaguarda geral. Não apenas em termos financeiros, mas manter um bom relacionamento familiar e com os amigos, que é muito importante também. Além disso, no Brasil, a pessoa vai ter que enfrentar muitas coisas que hoje considero humilhantes, mas que, infelizmente, é preciso se sujeitar, como ter que pagar para tocar. Mas se ela gosta, vale a pena, é um sacrifício prazeroso”

*Com Francine Shimizu/NJ

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