Uma
viagem que garante uma boa grana e experiência
Reportagem:
Redação/NJ | Fotos: Divulgação e Arquivo Pessoal
As
férias estão chegando e não há nada melhor
do que aproveitá-las para fazer uma viagem ao exterior. Agora,
imagine juntar diversão, aprendizado e dinheiro extra? Pois é,
essas são as vantagens de se fazer arubaito, um programa destinado
a universitários que vão para o Japão com o intuito
de trabalhar temporariamente e adquirir experiência de vida. E se
você tem a intenção de trabalhar temporariamente no
Japão deve ficar atento, já que abertura das vagas aos interessados
ocorre entre setembro e outubro. O embarque ocorre, normalmente, na primeira
quinzena de dezembro.
De acordo
com Emerson Morikawa, dono da agência Pipoll Travel, dependendo
do ramo de atividade, da quantidade de horas-extras e da força
de vontade da pessoa, dá para juntar, no máximo, cerca
de R$ 6 mil ao final dos três meses. Morikawa, que espera mandar
nesta temporada até mais do que as cerca de 50 pessoas que a
empresa costuma enviar todo ano, ressalta aos interessados para providenciarem
os preparativos com antecedência. A obtenção
do visto pode levar até 45 dias, no caso de sanseis. Antes disso,
a certidão de antecedentes criminais leva 30 dias para ser emitida.
Ou seja, no total são dois meses e meio só de papelada.
Por isso, é bom não deixar as coisas para a última
hora.
Quando existem
poucas vagas, saber a língua japonesa é um diferencial
na contratação. "Mas nossa intenção
é levar pessoas dentro de cada perfil. Então, se souber
falar japonês, colocamos onde precisam dessa aptidão. E
se não souber, colocamos onde tiver um intérprete",
revela Morimitsu Saruhashi, gerente da Anshin Travel. Saruhashi informa
outro detalhe interessante para quem pretende permanecer no país
por mais de três meses. "O passaporte é para 180 dias.
Então, se quiser trabalhar mais, não tem problema",
afirma.
Para finalizar,
especialistas no assunto dão dicas sobre o arubaito. "Para
quem vai pela primeira vez, aproveitem bastante a experiência
de vida com o contato de uma cultura diferente para aplicar em outras
situações da vida. Para os mais experientes, tenham os
pés no chão e guardem o dinheiro",
ensinam Akio Wada e Daniel Fortuna, ambos gerentes da Terra Viagens.
Como
funciona o arubaito
-
Meses: Dezembro a março.
- Salário:
Em torno de ¥ 1,1 mil a ¥ 1,4 mil a hora (R$ 1 = ¥ 61,97)
- Cidades:
O jovem pode trabalhar em fábricas de Tóquio, Kanagawa,
Aichi, Shizuoka, Gifu, Osaka, Chiba, Saitama e Ishikawa.
- Serviço:
Quem quiser mais dinheiro é encaixado em serviços melhor
remunerados, como o de autopeças. Serviços como o de eletrônicos
e bentouya pagam menos, mas são mais leves.
- Idade: É
necessário que você tenha entre 18 a 25 anos e seja nikkei.
- Moradia:
Algumas empresas têm à disposição apartamentos
ou alojamentos, com direito a geladeira e máquina de lavar. Em
alguns casos, até a alimentação pode estar inclusa.
Porém, é recomendável que você leve uma verba
de reserva para manter-se até o recebimento do primeiro ordenado.
Primeiro
passo
Para fazer o
arubaito é necessário procurar uma agência que ofereça
este tipo de programa aqui no Brasil e se cadastrar a uma das vagas. Depois
que a inscrição for efetuada, a empresa encaminha todos os
documentos necessários à empreiteira japonesa - empresa responsável
por selecionar os candidatos e pela sua permanência no exterior.
Documentos
- Visto: Pode
ser retirado no prazo de uma semana pela agência na qual for cadastrado
- Kosseki Tohon:
Documento que comprova que você tem ascendência japonesa e
que pode ser obtido através de um órgão japonês
ou até pela agência de viagem. Esta documentação
é um pouco mais demorada: chega ao Brasil em, no mínimo,
três semanas.
Experiência
Mariana
Katsumi Ishihara, 21 anos, fez arubaito no ano passado e conta como foi
a experiência.
Período
em que fez arubaito: Início de dezembro/2006 até final
de fevereiro/2007.
Tipo de
trabalho: Trabalhei em uma fábrica de eletrônicos.
Descrição
do trabalho: Era uma linha de produção de câmera
digital. Trabalhei com montagem de lentes da câmera.
Horário:
Trabalhava 8 horas por dia, mas sempre tinha de 3 a 6 horas extras que
eram obrigatórias.
Chefes chatos:
O meu chefe não era japonês e era bem exigente.
O que fazia
nas folgas: Tive poucas folgas. Porém, quando tinha, eu procurava
visitar lugares turísticos, passear em cidades vizinhas ou ir até
Tóquio.
Que dica
você dá para quem vai fazer arubaito pela primeira vez?
No meu caso, como eu tive muitas horas extras obrigatórias, a dica
é estar preparado e disposto a trabalhar. No início, a fase
de adaptação é muito difícil, mas é
uma experiência única que você aprende a ser independente,
pontual e ter disciplina.