|
Que necessitamos
fazer cálculos a todo o momento, isso é fato. Mas imagine
calcular as compras do mês só de olhar para os preços
nos produtos? Ou dividir a conta só de olhar para o valor total
da consumação? Pois é, aqueles que sabem manusear
o ábaco japonês, conhecido como soroban, conseguem essas
"proezas".
Mas essa habilidade
de fazer contas mentalmente se adquiri com muito treino. E as vantagens
não é só calcular rapidamente. Para
Douglas Daichi, de 13 anos, que faz aulas de soroban desde os 9 anos de
idade, o aperfeiçoamento da memória foi uma habilidade que
ele adquiriu com as aulas.
Douglas
faz soroban há 4 anos com o incentivo da avó
|
Para a professora
Helena Honda, não há idade para o início da aprendizagem.
"A partir do momento em que a criança sabe o desenho do número,
ela pode aprender. Além disso, é muito bom para a terceira
idade, pois deixa a mente ativa", explica. As aulas geralmente são
individuais e a graduação começa no 15º grau
e diminui até chegar ao 1º dan e assim infinitamente.
Douglas está
no 4º grau e sente bastante quando o grau de difilcudade aumenta
em cada nível. "O soroban não é nenhum bicho
de sete cabeças. Então, não tenha medo de fazer",
enfatiza. O jovem começou a fazer as aulas por curiosidade própria,
mas principalmente devido a forte influência da avó, Miyuki
Ueda, campeã do 11º concurso de Soroban no Brasil, no ano
de 1960.
Uma das técnicas
ensinadas é a movimentação correta dos dedos indicador
e polegar. "No início, esses pequenos detalhes não
interferem, mas pode prejudicar futuramente", afirma o professor
de soroban há 30 anos, Rubens Koreeda. Para ele, o ser humano precisa
fazer exercícios físicos e mentais. "Com o exercício
físico, o resultado você percebe nos músculos. Já
com os exercícios mentais, percebemos com a melhora na atenção,
observação e memória".
|
|
O
ábaco existe, aproximadamente, há mais de 2.500 anos e é
considerado o primeiro computador da história. Originário
da China, foi Kambei Moori que levou o suan-pan (o ábaco
em chinês) para o Japão e, até hoje, ele faz bastante
sucesso no país do Sol Nascente. No Brasil, o soroban tem apenas
51 anos e chegou depois da Segunda Guerra Mundial com os imigrantes japoneses,
mas foi com o professor Fukutaro Kato que as técnicas foram divulgadas.
|
|
"Ficou
elucidado cientificamente que é bom, quanto antes, ativar as células
nervosas cerebrais, movimentando a ponta dos dedos, os pequenos músculos
da mão, sempre com algum objetivo. Em outra pesquisa, se concluiu
que o cálculo mental à base da imagem do soroban, usa-se
o cérebro direito.
Praticar
o soroban não significa apenas mexer as bolinhas. É mexer
as bolinhas pensando, raciocinando, passo a passo, etapa por etapa para
chegar num resultado satisfatório.
A
prática do soroban dá oportunidade para dirimir a aversão
pela matemática, fortifica a capacidade de calcular e dinamiza
o cérebro. Por tudo isso, o estudo do soroban é um dos melhores,
diz o pesquisador Hayashi.

Além
disso, a pesquisa mostrou outros pontos:
1.
Retarda a senilidade. O soroban estimula o uso dos cinco sentidos (olfato,
audição, paladar, visão e tato). São por meio
desses sentidos que nós percebemos e sentimos e é por meio
deles que reforçamos a memória. O cérebro sempre
em atividade, retarda a senilidade.
2.
O soroban é simples e informal. É fácil de se calcular,
pois qualquer pessoa consegue com um pouco de dedicação
e serve sobretudo para ativar o cérebro.
(Súmula
de uma palestra proferida pela Thereza Kato por ocasião do VIII
Curso de Formação de Professores divulgadores de Soroban
realizada nos dias 21 e 22 de abril de 1995)
|