Reportagem:
Catarina
Eiko/NJ | Fotos: Divulgação e Catarina Eiko
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Exagero?
No primeiro momento essa é a impressão. Mas, não.
É apenas uma tentativa desesperada de alguns jovens japoneses,
entre 13 e 19 anos, de individualmente, se diferenciarem.
Não
é um movimento, pois nunca teve uma ideologia. São apenas
adolescentes que começaram a se vestir de forma diferente, com
looks mais over (influenciados pelas culturas cyber,
punk, e de anime), muita sobreposição de peças, roupas
e acessórios adquiridos em brechós e elementos da cultura
japonesa. Essa era a "paixão" dos Harajukus ou Fruits,
como também ficaram conhecidos: se montar para atingir um alto
grau de diferenciação.
"A
sociedade japonesa é planificada, todo mundo é igual.
A paixão por estar montado, por usar uma roupa diferente, representa
uma identificação humana. Foi a forma que eles encontraram
de se diferenciar uns dos outros. Eles querem simplesmente serem únicos",
afirma Luis Fernando dos Santos, um dos organizadores da Exposição
Fruits do Resfest Brasil, que apresentou fotos do fotógrafo
japonês Shoichi Aoki, idealizador da revista Fruits e que sempre
esteve antenado à cultura de rua.
Exposição
na Cinemateca Brasileira reúne fotos de Shoichi Aoki,
tiradas entre 1997 e 2003
Tudo
começou em Harajuku, como ficou conhecida uma popular área
ao redor da Estação Harajuku, do Município de Shibuya,
em Tóquio, no Japão. Foi nascendo aos poucos, sem nada
planejado. Aparecia um aqui, outro ali e, a cidade foi ficando cada
vez mais multifacetada, de uma forma totalmente espontânea.
Harajuku,
então, ficou conhecida como a "maior passarela do mundo
a céu aberto", sendo assim, facilmente associada à
capital japonesa. "Os Fruits são referência absoluta
de moda. Todo mundo que lida, que trabalha com isso, conhece. É
um laboratório ao ar livre de uma moda independente e única",
revela Luis.
Opiniões
"Para
mim, no Japão, as pessoas são muito mais extremistas no
jeito de se vestir. Tem algumas coisas que eu acho interessante para colocar,
mas inteiro, tematicamente, não iria conseguir. É uma moda
mais para se inspirar, porque eles apelam para as coisas mais exageradas.
Talvez porque todo mundo é parecido fisicamente e vai de você
se destacar no meio de uma sociedade, para chamar a atenção.
No Brasil, acho que essa moda não pegaria, precisaria de uma aceitação
que levaria anos, para o país se desenvolver, ter uma consciência
de que a moda está aberta". Débora Uemura, 22 anos, estudante de Publicidade.
Deborah
e Gustavo em visita à Exposição Fruits
"Faz
um tempo que eu conheço esse estilo, e acho bem interessante, diferente.
Eu gosto e acho criativíssimo. Eu nunca fui para o Japão,
mas a visão que eu tenho é de que lá é uma
coisa muito regrada, muito organizada. Eu acho que esse estilo de moda
é uma forma de expressão, é um fenômeno social.
Aqui no Brasil, com certeza essa moda não daria certo. Aqui temos
uma diversidade cultural muito grande e não precisamos nos expressar
em roupas. Temos asiáticos, negro, índio, e o povo já
carrega essa diversidade. Já o japonês, que todo mundo fala
que é igual, utiliza as roupas como forma de se diferenciar".
Gustavo Mitsuraru Matsui, 22 anos, estudante de Design e Publicidade.
Tribos
e estilos
Visual
Band: Esse
gênero é o que possui mais adeptos, que buscam imitar músicos
de bandas famosas e a maioria têm inspiração gótica
e macabra. Utilizam pó de arroz para deixar as faces embranquecidas
e depois pintam lágrimas negras. Já os cabelos devem ser
coloridos ou desfiados, as roupas negras ou vermelhas e o salto plataforma.
Gyaru
(gíria japonesa para "girl") e Yamamba (bruxa
da montanha): Estas são alas femininas, que gostam de ousar do
universo lúdico e sensual. Elas buscam imitar o estilo "Barbie"
de se vestir. São as loiras de olhos puxados, com peles bronzeadas,
vestidos curtos e muitos acessórios com maçãs de
plástico e imagens da Hello Kitty.
Surfers:
Versão masculina do Gyaru/Yamamba. A inspiração
deles são os surfistas californianos, de cabelos compridos e
músculos de academia. O lema é: "ver e ser visto".
Kireime:
Garotas comportadas, que utilizam maquiagens em tons pastel e adoram
grifes importadas e caras, como Gucci e Louis Vuitton, por exemplo.
Lolitas:
Estas são as bonecas de plástico. São aquelas japonesas
pequenininhas, que usam vestidos de modelagem vintage, com meias até
o joelho, lencinhos nos cabelos como maria-chiquinha e ursinhos de pelúcia
nos braços.
Ura-hara
(abreviação de Ura-Harajuku): composta por pessoas mais
velhas, acima dos 17 anos, tanto do sexo feminino como masculino. Geralmente
estudam arte e design, trabalham como cabeleireiros, maquiadores, vendedores
de lojas descoladas. Se inspiram nos punks, ravers, indies, skatistas
e artistas plásticos.