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Matsuri
Dance
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Dança
derivada do bon-odori conquista jovens no Paraná
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Reportagem:
*Kelly
Nagaoka/NJ | Fotos: Arquivo pessoal e Grupo Sansey/Divulgação
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O
bon-odori tornou-se uma dança típica nas festas da comunidade
nipo-brasileira. E foi através dele que os integrantes da Associação
Cultural e Esportiva de Maringá (ACEMA) criaram coreografias
divertidas, que encantam cada vez mais jovens, principalmente do Paraná.
"Na época, ainda não existia o termo matsuri dance.
Era chamado de bon-odori moderno. Quem criou o termo foi o grupo Sansey
de Londrina, também autor de diversas coreografias", revela
o estudante Lucas Yoshio Muraguchi, de 17 anos, um apaixonado pelas
artes japonesas. Segundo a arquiteta e professora de matsuri dance Aline
Kashinoki, o grupo enfrentou críticas no começo. Mas,
hoje em dia, nos eventos, todo mundo entra na dança, inclusive
o pessoal da terceira idade.
"Já fomos dar até workshops pra esse pessoal um pouquinho
mais velho", orgulha-se.
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Galera
do grupo Sansey no Londrina Matsuri
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No matsuri
dance, em geral, são utilizadas as músicas de j-pop. Todos
os participantes dançam a mesma coreografia. "Muitos grupos
independentes escolhem músicas e criam suas próprias coreografias.
Adoro essa liberdade de criação", diz Lucas, fundador
do Ishindaiko, grupo bicampeão brasileiro de taikô. Os
passos vão desde bon-odori até funk, em fila ou em roda.
Aline que já gostava do bon-odori antes acredita
que as coreografias mais moderninhas são relativamente fáceis
e gostosas de dançar.
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No
matsuri dance tem até banda ao vivo
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Os jovens
podem aprender a dança em festivais japoneses. Atraída
pelas músicas mais agitadas do que no bon-odori tradicional,
a estudante Elaine Mitie Nakamura, de 19 anos, é um exemplo.
Só tem oportunidade de dançar no Londrina Matsuri, que
ocorre anualmente na cidade.
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Jovens se divertem com a dança
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Curiosidades
de Aline e Lucas sobre o matsuri dance
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Início
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Lucas
Muraguchi: Há
cerca de sete anos, conheci o matsuri dance em uma edição
da Feira Agrícola da ACEL (Associação Cultural
e Esportiva de Londrina). Entrei com minha mãe e um amigo na
roda de bon-odori. Nunca havia entrado em alguma antes. Estava morrendo
de vergonha. Na época, a "pista de dança", assim
como os taikôs, eram ocupados predominantemente por jovens e terceira
idade. Na ocasião, tocaram Giza Giza Hato no Komoriuta.
Já era fã da música e adorei a coreografia. Foi
algo imediatamente contagiante. Tinha somente 10 anos. Posso dizer que
minha vida, a partir de então, mudou. Me liguei a tudo o que
dizia respeito a matsuri dance.
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Definição
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Aline
Kashinoki: Acho
que é um estilo de dança bem livre, derivado do bon-odori.
Sempre com músicas alegres e coreografias onde todos possam dançar.
Procuramos colocar um ou dois passos de odori tradicional no meio.
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Bon-odori
X matsuri dance
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Lucas:
Os
mais conservadores, inicialmente, tiveram algumas objeções
contra o matsuri dance. Afinal de contas, o bon-odori carrega toda a
conotação de finados, agradecimentos e preces. O primeiro
é tradição e o segundo, diversão. Mas até
mesmo os mais conservadores admiram o matsuri dance, quando vêem
seu poder de divulgação e popularização
da cultura japonesa.
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Como
dançar?
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Lucas:
Todo
mundo está lá para se divertir, tudo além disso
é secundário. Cada um tem seu jeito, seu estilo próprio.
Não importa se você erra a coreografia, se dança
duro ou se não sabe cantar a música. O importante é
apoveitar o momento. Na minha opinião, o lugar certo para se
aprender é na roda, com todo mundo. Ninguém lá
nasceu sabendo, estamos todos aprendendo (já que novas coreografias
são lançadas todo o ano). O segredo é não
ter vergonha e errar muito até aprender, e, acreditem, é
mais divertido dançar aprendendo do que dançar sabendo.
Aline
Kashinoki: É
só ter vontade, animação, disposição
e não ter vergonha de dançar no meio de todo mundo.
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Bon-odori
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Uma
dança em grupo, em círculo, com gestos simples, como colher,
ceifar e semear fazem parte da dança do bon-odori. Em Pereira Barreto,
um dos berços da imigração japonesa no Brasil, o
festival de bon-odori abre os festejos do aniversário da cidade,
no último fim de semana de julho. Paulo Yamamoto, ex-presidente
do Bunkyo de Pereira Barreto, afirma que no Japão o bon-odori é
comemorado na época dos finados, em agosto. "Eles acendem
uma fogueira para receberem os espíritos dos mortos e iluminar
o caminho deles. É uma festa de agradecimento aos antepassados",
conta Yamamoto.
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*Colaboração
Suzana Sakai/NJ
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