Reportagem:
Kelly
Nagaoka | NJ - Fotos: Arquivo pessoal e divulgação
Paula
Ishibashi ganhou o prêmio de melhor jogadora das Américas
Um
dos esportes mais populares do mundo e que as brasileiras são as
melhores da América do Sul. Este é o rugby.
No Brasil, vem ganhando adeptos nikkeis a cada dia. Paula Harumi Ishibashi,
21, e Valter Sugarava, 29, ambos do Spac, clube de referência no
rugby nacional, são alguns deles. Tricampeã Sul-Americana
de Seven a Side (variação do jogo de 7 contra 7), Paula
conheceu o rugby aos 15 anos. Ela também já ganhou o prêmio
de melhor jogadora do continente.
"Conheci
o rugby pelos amigos do colégio. Eles começaram a jogar
no time juvenil e chamaram a mim e umas amigas para conhecer o jogo".
Segundo Paula, os treinos de rugby são voltados mais à
técnica do jogo do que ao preparo físico. Ela treina às
terças e quintas, das 19h30 às 21h. Quando não
compete no sábado, aproveita para treinar. No futuro, ela sonha
que o esporte conquiste mais espaço dentro do cenário
esportivo brasileiro.
Já
Valter, campeão da Copa do Brasil (2005), descobriu o rugby aos
23 anos. "Estava sem clube no handebol, meu esporte de origem,
e alguns amigos foram ver um treino. Resolvi ir e experimentar. Três
dias depois joguei meu primeiro jogo. Nunca mais parei", conta.
O nikkei que já defendeu a seleção brasileira
e está no último ano de Educação fisica
é técnico de rugby e handebol.
Valter
Sugarava conta mais detalhes sobre o rugby ao Nippo-Jovem.
Nippo-Jovem:
Poderia falar um pouco sobre como funciona o rugby?
Valter Sugarava:
É um esporte de impacto em todos os sentidos. Tem que estar bem
preparado fisicamente e pisicologicamente. O objetivo é parecido
ao do futebol americano: levar a bola até o extremo do campo
adversário, conquistando território, usando suas armas
e analisando as deficiências do adversário. O tackle
é a oposição ao adversário mais usada e
idêntica ao do futebol americano. A maior diferença é
que só se passa a bola para trás no rugby.
Além
do rugby, Valter Sugarava é professor de handebol
NJ:
Quais são os torneios mais importantes para a seleção
brasileira?
VS: Sul-Americano B, Circuito Mundial de Seven a Side, entre outros.
NJ:
Como está o rugby no Brasil?
VS: Está passando por muitas dificuldades, como todo esporte
amador brasileiro. Se você tem (no mínimo) R$ 60 para jogar,
você está em algum time grande. Caso contrário,
deve procurar outro esporte. As categorias de base não tem o
respaldo necessário, porque aqueles que pagam só querem
jogar e não se importam com o futuro do esporte, o que é
bem compreensível. Temos um futuro incerto. O feminino, por exemplo,
tricampeã Sul-Americana, mas não se tem torneios femininos
de base. Aliás, fora a Natasha, capitã SPACiana, que participa
do projeto social "Rugby para Todos", na favela do Heliópolis,
não se tem rugby feminino infantil. O masculino até tem,
mas sem qualquer organização ou continuidade. Apesar disso,
estamos evoluindo tecnicamente. E em torneios de seven, modalidade que
o Brasil é mais forte, temos ótimos resultados.
Jogadores:
O rugby é praticado com 15 jogadores para cada equipe, porém
há outras modalidades e variações de jogos de 7
contra 7, denominada Seven a Side e de 10 contra 10, Ten a Side.
Duração:
15 jogadores - Dois tempos de 40 minutos, com intervalo de 5 minutos.
Ten a Side - Dois tempo de dez minutos, com intervalo de 3 minutos
Seven a Side - Dois tempos de sete minutos, com intervalo de 1 minuto.
Uniforme:
Consiste em camisa, calção, meiões, chuteira
e protetor de boca.
Medidas:
O campo tem 100 m de comprimento por 68,62 m de largura. As traves
têm 5,64 m de largura por 3,05 m de altura até a barra
transversal e as duas traves laterais continuam mais altas, com a forma
de um "H". Há uma linha no meio do campo e uma que
marca a distância da linha de fundo até os 22 m. A mesma
medida é da linha que fica por trás do gol. É aí
que se marca um gol.
Regras:
Só se passa a bola para trás, podendo ser esta lançada
para frente apenas com os pés. Os ataques são feitos em
diagonal. Um jogador não pode desarmar o outro pelas costas.
Só o jogador com a posse da bola pode ser tocado por outro. O
desarme, também chamado tackle, ocorre quando o jogador
é derrubado. Para o desarme, pode-se agarrá-lo do pescoço
para baixo. O mais prático é agarrar suas pernas e derrubá-lo.
Não se pode, ao contrário do futebol americano, agarrar
alguém sem a bola. Isso significará um pênalti,
que é cobrado do local em que foi cometido. Muitos times preferem
a reversão do pênalti em manutenção da posse
de bola, o que é mais prático quando o pênalti é
cometido de uma distância muito grande do gol.
Termos:
Todos os termos ainda são usados em inglês. Exemplos: penalty
goal, dropped goal, tackle e try.