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ParaPara invade o Brasil

Estilo de dança que virou febre no Japão
ganha espaço entre os brasileiros

Reportagem: Suzana Sakai/NJ| Fotos: Arquivo pessoal 


Grupo SuperPara no ritmo do ParaPara

É um jogo? É uma disputa de break? Não, é o ParaPara, um estilo de dança japonês que começa a ganhar força entre os brasileiros. O movimento surgiu no Japão, por volta dos anos 80. De lá para cá viveu vários picos no país. No Brasil, a dança chegou há mais ou menos seis anos e têm ganhado força dentro dos eventos de animê e j-music.

Segundo a Associação Brasileira de ParaPara (A B.P.P.D.A), o movimento foi criado por jovens que estavam cansados dos movimentos e das músicas da disco. Nesse mesmo período, começou a ser introduzido nas boates do Japão um ritmo chamado Eurobeat. O novo som veio com uma batida mais rápida, o que tornou difícil a conciliação dos movimentos das mãos com os pés. A partir daí, iníciou-se um estilo que futuramente seria o ParaPara.

O nome da dança surgiu de uma forma interessante. Alguns jovens começaram a se reunir para realizar uma espécie de disputa de coreografia, que passaram a treinar em casa. Para marcar os passos eles cantarolavam “Parapaparapaparara”, uma espécie de "Lálálálá" do ocidente, denominando-se assim o novo estilo como ParaPara.

Começaram então a surgir as coreografias oficiais, que recebem o nome de rotinas e auxiliam os Paralistas (nome dado a quem dança ParaPara) no aprendizado de novos passos. "As coreografias são determinadas por boates oficiais no Japão, boates ligadas à maior produtora de entretenimento nipônica, a Avex Trax. Essas boates criam e depois divulgam suas rotinas através de aulas - chamadas lessons - em cada noite de festa. Em cada dia, uma nova coreografia é ensinada. Além das boates, você também pode aprender ParaPara através de vídeos comerciais, onde alguns grupos de boates dançam as coreografias para que você possa aprender em casa", explica o diretor da A B.P.P.D.A e idealizador do projeto Alpha, Bernardo Boechat.

No ocidente as rotinas de ParaPara chegam através de vídeos e pessoas que vão ao Japão e se disponibilizam a ensiná-las. O estilo já virou moda no Chile e nos Estados Unidos e aos poucos ganha espaço no Brasil.

 
Jogo e dança

No Brasil, o ParaPara começou a difundir-se principalmente através de jogos em simuladores de dança, em especial o DDR (Dance Dance Revolution), da Konami. Foi através desse jogo, que o estudante Ivo Sato, hoje membro do grupo de dança SuperPara, conheceu o estilo. "A descoberta foi em conjunto com um grupo de amigos em um fórum sobre o jogo DDR. Conhecemos primeiro o jogo, no qual vimos vídeos e achamos muito estranho e legal também ao mesmo tempo. Fomos procurando assuntos sobre o jogo e descobrimos que esse jogo tinha sido inspirado nas rotinas do grupo ParaPara Allstars. Achamos a coleção de sete DVDs e mais dois especiais do grupo e não deu outra compramos e começamos a curtir a dança. Pesquisamos para saber como era vista a dança no Japão, aonde acontecia os eventos e muitas outras coisas. Cada vez mais fomos nos interessando mais pelo assunto", conta Ivo que dança ParaPara há 3 anos.

O game fez com que a estudante Vanessa Bittencourt se encantasse ainda mais com o estilo. "Quando descobri que algumas músicas do jogo Dance Dance Revolution possuiam rotinas de ParaPara, me apaixonei mais ainda", revela.

Apesar do jogo abrir as portas para o estilo no Brasil, Boechat alerta que é preciso diferenciar o game da dança. "O simulador é como o nome já diz, um simples jogo que saiu durante os 3 booms de ParaPara no Japão. Não queremos pessoas que parem de dançar ParaPara sem conhecer o vasto universo da dança que existe por trás de um simples jogo", afirma o diretor.

Hora de dançar!

Os paralistas brasileiros praticam o estilo em eventos de anime ou em encontros promovidos pela Associação Brasileira de ParaPara

Como o ParaPara chegou em território brasileiro há pouco tempo, os locais para dançar o estilo ainda são restritos. Mas isso não é nenhuma barreira. A Associação Brasileira de ParaPara promove encontros entre os paralistas e eventos de cultura japonesa onde todos podem colocar as rotinas em prática e dançar muito ParaPara. "Os eventos e encontros são uma oportunidade para conhecer outras pessoas que curtem ParaPara, e assim ninguém ficar dançando sozinho em casa", afirma Ivo.

Os amantes do estilo ainda podem praticar a dança em eventos de animê e de j-music. Mas quem gosta mesmo, dança ParaPara em qualquer lugar. "Eu costumo dançar na sala de casa ou no meu quarto e também nos eventos de animê. Ás vezes, sem perceber, estou mexendo os braços na rua, na faculdade, para não esquecer as rotinas", revela Vanessa.

O estilo possui três variações: a primeira é o próprio ParaPara. Ao som do Eurobeat, os paralistas acompanham o ritmo da música com os pés e fazem movimentos com as mãos, semelhante ao disco, só que com uma nova roupagem. O TechPara é dançado no ritmo do Hyper Techno e possui movimentos mais marcantes e mais elaborados, com um ritmo mais agitado de dançar. Já as rotinas do ToraPara vão no ritmo do Epic Trance. A variação traz movimentos mais soltos com ritmos dos anos 90 que agitaram várias baladas e remixagem de DJs do Japão.


Saiba mais sobre o ParaPara
www.parapara.com.br/forum

 
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