Paz ou Energia Nuclear?
Priscilla Yumiko Fujikawa
Quando pensamos sobre a Segunda Guerra Mundial, podemos destacar duas lembranças: Anne Frank e as Bombas Atômicas. Lembranças estas, que de alguma forma colaboraram para a evolução da nossa sociedade.

Anneliese Marie Frank, uma personagem atualmente muito conhecida como Anne Frank foi uma jovem judia obrigada a se esconder dos nazistas com seus familiares e outros judeus durante quatro anos.

Ela relatou em seu querido diário a vida que passava refugiada, os bombardeios e assaltos com que tivera de lidar, além de descrever de maneira certeira e crítica as transformações dos que com ela se refugiaram. Após a publicação do diário, em 1947, este se torna um verdadeiro símbolo do Holocausto (massacre nazista sobre os judeus).

Atualmente, temos graças ao diário um famoso museu chamado Anexo Secreto – local do refúgio de Anne Frank – no qual podemos observar as condições em que os perseguidos viviam. Um lugar visitado por pessoas de todos os países, onde a menina que abriu os olhos do mundo para a Segunda Guerra Mundial sobreviveu.

A segunda lembrança marcante da guerra surge no dia 6 de Agosto de 1945, pela manhã, quando a cidade de Hiroshima (Japão) se assusta ao ver no céu uma enorme nuvem de fumaça, em formato de cogumelo causada pela explosão da bomba atômica. Três dias depois, diferentes olhos, agora localizados em Nagasaki, puderam observar uma situação semelhante... Fumaça, desespero e confusão.

1945... O ano do fim da Segunda Guerra Mundial, aquele ano que sempre nos remete aos ataques por parte dos Estados Unidos ao Japão, automaticamente nos levando a recordar a destruição, a tristeza e as milhares de pessoas injustamente mortas.

Foi um ano decisivo em que os Estados Unidos alegaram apenas ter acelerado o fim da guerra, enquanto segundo o Japão, tamanha frieza era completamente desnecessária, pois o fim desta já estava previsto em um futuro não muito longe. Fora apenas uma jogada científica, tecnológica, militar e política.

Hiroshima, escolhida por seu valor industrial e militar, em que comandava a defesa de todo o sul do Japão, além do fato de localizar-se entre vales e não ter sofrido nenhum ataque durante a guerra favoreceu para que os EUA pudessem avaliar o poder de destruição da arma; e Nagasaki escolhida devido ao seu importante porto na mesma região, agora têm para toda a história locais que o ataque não conseguiu destruir por completo, memórias tristes e fotos, além de pessoas perdidas.

O ataque terminou por deixar vestígios, não somente na memória da população, como nos edifícios parcialmente destruídos, que hoje são locais turísticos, visitados por pessoas de todo o mundo. Temos como exemplos mais famosos a Urakami Tenshudo - Igreja Católica de Nagasaki – e o Memorial da Paz de Hiroshima, capaz de eternizar os acontecimentos através de monumentos que exibem o desejo pela paz mundial.

Os que visitam o Memorial da Paz têm acesso a gravações e fotos que apresentam o sofrimento no momento do ataque, os efeitos causados pela radiação após alguns anos e a sofrida reconstrução de toda a cidade. Todos saem abalados e deprimidos, como se tivessem presenciado o dado momento do ataque.

A energia nuclear, brilhante invenção de um grupo de importantes físicos, infelizmente, ficou conhecida por sua habilidade de destruir e matar... Objetivos não desejados por seus criadores, que se tornaram depois, quase todos, pacifistas e lutaram contra o uso de armas nucleares.

Em 2002 ela esteve novamente no centro de um conflito entre países (os EUA e o Iraque), quando George W. Bush disse ter razões para acreditar que o Iraque se relacionava de alguma maneira a grupos terroristas, criando armas de destruição em massa – armas atômicas.

Logo, Bush pressionou a ONU para que enviasse inspetores de armas ao país. Observada a posição da ONU diante da situação, os EUA, em março de 2003 invadiram o Iraque, gerando um imenso número de mortos, não somente iraquianos como também por parte dos soldados americanos e de seus aliados.

Cabe a nós refletirmos sobre estas, assim como as guerras em geral, suas causas e conseqüências. Após o contato com os verdadeiros motivos e efeitos das guerras, fica claro que a energia nuclear acaba se tornando sempre uma ameaça à paz.

Perguntamo-nos se atitudes tão desumanas foram realmente necessárias... O famoso ditado popular: “Violência só gera mais violência” estaria então errado?

Ao nos questionarmos “Paz ou Energia Nuclear?”, percebemos que a paz, evidentemente, é essencial em nossa vida, enquanto a energia nuclear, principalmente para a produção de energia, poderia ser facilmente substituída. Se tomássemos o Brasil como exemplo e hipoteticamente desativássemos as usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2, poucas seriam as conseqüências, afinal elas produzem menos de 3% da eletricidade do país, algo que logo poderia ser resolvido.

Além disso, há a questão ambiental. Os defensores das usinas nucleares usam como argumentos o seu baixo nível de poluição atmosférica, o combustível barato, facilmente transportável, além da redução de gases que favorecem o efeito estufa; contudo, segundo os ambientalistas, temos como desvantagens o maior custo para sustentar os sistemas de emergência, de contenção, de resíduo radioativo, de armazenamento, risco de contaminação do ar devido a explosões, vazamento de gases e contaminação do lençol freático.

Mesmo que pareça complicado, quando algo é extremamente importante, “querer” se torna sinônimo de “poder”.

Pensar sobre as vítimas das bombas, sobre as milhares de pessoas inocentemente mortas, nos conduz a um sentimento de solidariedade, de tristeza. Apesar de todo o mal causado, as bombas atômicas representam um aprendizado para a humanidade, ao deixar para o mundo os efeitos de uma arma tão perigosa, fazendo-nos lembrar sempre que este erro jamais, em qualquer ocasião, deve ser repetido.

Não basta desejar que o mundo melhore, é necessário lutar por isso! E essa melhora inclui a paz, dentro de cada de um nós, pois somente desta maneira poderemos deixar à humanidade a nossa mensagem e o nosso objetivo. Apesar de toda a dificuldade, acreditar e perseverar são atitudes fundamentais.

Neste jogo capitalista, quando alguém ganha, o outro lado perde. Porém, em algum momento todos perceberão que somente se ganha quando se vive uma relação baseada na confiança, no mútuo respeito e na igualdade – o “Eu venci!”, então, seria justamente substituído pelo “Nós vencemos!”; ou melhor, “A Paz venceu!”.