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Tenho
um namorado que diz não ser dependente de pó. Ele só
usa quando quer e não acredita ser um viciado, como se define usuários
de fim de semana, ou quando está na balada acompanhado de amigos
que cheiram. Detalhe: ele mora na periferia, não tem poder aquisitivo
para comprar cocaína de boa qualidade e não tem condições
financeira de nada. Eu não sei como consegue cheirar pó.
Acho que só cheira o resto dos outros e nessas baladas rola muita
cerveja. Diante de tudo que sei de técnico, ele é viciado,
mas ele afirma que não.
Quando uma pessoa assume que é dependente químico,
já está no inicio de sua recuperação. São
raros os usuários que não se tornam dependentes seja a curto,
médio ou longo prazo. Objetivamente, classificamos como depende
a pessoa que perde o controle sobre o consumo da droga. Torna-se adicto,
que quer dizer escravo. A droga passa a ser o centro de sua vida. Ele
sempre acha um modo de conseguir a droga, usando, viajando na droga e,
passado o efeito, vai começar tudo de novo.
Só que isso não acontece logo no começo.
Todos começam usando pouco, só no final de semana e quando
pinta. Depois, o fim de semana passa a começar já
na quinta feira. Ele começa a se interessar por onde conseguir
a droga. Só para saber. Aí, começa a freqüentar
a bocada. Se ele não tem dinheiro, não há problema.
No início, o traficante facilita. Depois, cobra em
serviços (traficar entre amigos, no trabalho, na escola, etc.)
e quando o cara está no fundo do poço é chutado fora
ou apagado. Essa é a dura realidade.
Seu namorado pode ser aquela exceção que não
irá se viciar. Não podemos saber. Só o tempo dirá.
É terrível, mas é preciso pagar para ver. E o preço
é altíssimo: clínica, cadeia ou cemitério,
se for dependente. Eu não me arriscaria, e você? Por que
será que ele precisa da droga para se divertir? Será que
não está fugindo de algum problema ou dor? Adoro dançar
e me divertir, mas posso fazer isso sem drogas.
Desafie-o a ficar limpo um fim de semana inteiro com você.
Se ele conseguir não usar nada (nem pó, nem maconha, nem
álcool, nem fumo, nadinha mesmo), existe muita chance de ele não
ser dependente. Agora, se ele não agüentar, pode ter certeza
que ele já está dependente. Sabemos como é duro amar
alguém com esse tipo de doença. Se for o caso, procure os
grupos de auto-ajuda do Nar-anon ou amor exigente, que irão ajudá-la
a não adoecer também se tornando co-dependente ou facilitadora
da dependência dele. Que Deus ajude vocês dois.
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