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Aos
18 anos, descobri que eu era adotivo, que eu fui entregue a uma lata de
lixo com apenas 10 dias de vida. Desde os 16, moro sozinho, porque eu
não consigo viver em harmonia com meus pais e optei por esse caminho
para não ter que fazê-los passar nervoso. Com os amigos,
por mais que eu esteja rodeado de pessoas, eu me sinto sozinho, deslocado
por muitas vezes. Eu choro por sentir solidão. Recentemente, perdi
tudo que eu tinha construído nestes 32 anos. A única coisa
que se passa na minha mente é suicídio. Oro a Deus todos
os dias para me dar forças para tirar este mal pensamento. Peço
ajuda. Obrigado!
Essa vivência de solidão e rejeição
é muito comum em crianças que passaram por traumas quando
bebês. Você não nos contou como soube que era adotivo,
mas podemos imaginar que a informação não lhe foi
dada de uma forma positiva.
Você já parou para pensar que sua mãe de barriga
poderia estar passando por graves problemas quando o abandonou? Quem sabe,
inclusive um grave transtorno psíquico chamado depressão
pós-parto, que leva algumas mulheres a rejeitar um filho antes
muito desejado. Esse transtorno se deve as mudanças hormonais pelas
quais a mulher passa no puerpério (período pós-parto).
Muitas precisam inclusive de internação psiquiátrica.
Uma coisa é certa: ela carregou você no ventre por nove
meses, quando poderia ter optado pela solução mais prática
do aborto. Portanto, ela o amou do jeito dela, pelo menos até seu
nascimento. Quanto a seus pais adotivos, não sabemos a razão
para fazer uma adoção, mas, provavelmente, foi por amor.
Se o relacionamento não deu certo, é uma pena. O fato de
você dizer que teve grandes perdas econômicas, sociais e emocionais
pode ter feito você se sentir assim tão infeliz. Mas existe
a possibilidade disso ser uma depressão. Se sua mãe era
depressiva, isso pode ser hereditário.
Nossa sugestão é que você procure uma psicoterapia
para ajudá-lo a elaborar não só a depressão
como também a adoção e a rejeição quando
bebê. Como a psicoterapia pode demorar um pouco para fazer efeito,
sugerimos que procure também um psiquiatra que possa medicá-lo,
ajudando-o a diminuir seu sofrimento.
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