Olá!
Estou com um problema com meu filhinho de 7 anos. Não sei se
preciso procurar ajuda de um psicólogo ou é só
uma fase. Também não vi perguntas sobre crianças
aqui no site, mas mesmo assim acho que posso tentar. O que acontece
é que ele está com medo de ir para a escola. Ele inventa
mil desculpas. "Mãe, hoje eu estou com uma dor de cabeça!!"
ou "estou com dor de barriga. Tô passando muito mal".
Estou preocupada porque ele está chegando a ferir o próprio
corpo para sair um pouco de sangue e eu falar para ele ficar em casa.
Ele me diz que não quer ir por causa dos amiguinhos que o provocam.
Quando eu era criança, também tive uma fase como essa.
Mas o pior é que isso continua até hoje. Quando tenho
alguma dificuldade no trabalho, tenho vontade de arrumar alguma desculpa
e faltar! Puro medo de enfrentar a situação! Tenho medo
que isso continue com meu filho e ele tenha dificuldades na vida profissional
e afetiva também. Por favor, me ajudem!
Sua
pergunta é bem-vinda. Nós, as psicólogas, que respondemos
as perguntas do Cá entre nós, acreditamos que, apesar
da seção ter sido criado para que os jovens pudessem ter
a chance de esclarecer suas dúvidas, estamos à disposição
de todos, pois problemas emocionais acontecem em qualquer idade.
Quanto
a seu filho, seria interessante, antes de procurar ajuda especializada,
que alguns passos fossem dados por você. Primeiramente, aproveite
um momento bem agradável com seu filho (um lanche que estejam
tomando juntos, de preferência só vocês dois) e pergunte
a ele o que acha da escola. Ele está no inicio de seu processo
escolar, mas já deve ter o que dizer. Ouça, não
conteste. Faça perguntas sobre como são as aulas, sobre
os colegas, a professora, a diretora e inclusive a pessoa que toma conta
do recreio. Pergunte o que ele acha legal e o que não gosta na
escola.
Talvez você
se surpreenda com pequenas coisas que podem incomodar muito uma criança.
Você não nos disse se esse é o primeiro ano dele
nessa escola. Se for, peça que ele compare com a escola anterior.
Se ele estuda há muito tempo na mesma escola, pergunte sobre
o que mudou. Às vezes, alguns apelidos que os colegas colocam
na criança, mesmo que carinhosos, podem incomodar. A imagem dele
de chorão, por exemplo, pode ser usada de forma que o incomode.
Até o espaço físico da própria escola pode
ser problema.
Um exemplo
é de uma criança que não queria ir à escola,
pois o lanche era servido em pratos e copos de plástico e ela
tinha nojo de usá-los, mas também tinha fome! Bastou solucionar
esse pequeno empecilho e ir à escola voltou a ser bom.
O segundo
passo é ir à escola e conversar sobre o comportamento
dele lá tanto nas aulas como no recreio, o que pensam dele. Isso
é muito importante. Outro ponto é observar se houve algum
evento que coincida com o problema, talvez o nascimento de um irmão,
a perda de um familiar, mudanças no convívio diário,
enfim, qualquer coisa.
A partir
desses dados veja se você junto com a escola consegue resolver.
Caso não fique claro o que leva ao problema ou se é algo
que vocês não conseguem resolver, procure um psicólogo(a)
para ajudar tanto no diagnóstico como na solução
do problema. O fato de você também ter tido dificuldades
para enfrentar a escola pode ajudá-la a desenvolver empatia com
ele e quem sabe compartilhando isso com seu filho você não
o ajude a contar o que está difícil para ele. Esperamos
que isso a auxilie. Se precisar, escreva novamente. Cá entre
nós, se trabalharmos os pequeninos, teremos muito menos problemas
na adolescência.