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Namoro
há um ano e meio e, desde o início, um dos empecilhos foi
o cigarro que o acompanha. Brigamos diversas vezes até que ele
decidiu parar de fumar. Isto é, parar de fumar feito louco, porque
sei que uma vez ou outra ele ainda traga, nos momentos de nervosismo.
Já faz um ano que ele está tentando parar e vejo que está
sendo muito difícil. Não agüento mais isso, esperar
por algo que pode fracassar mais tarde. Há alguns anos parou de
fumar do nada, porque não queria mais, mas depois voltou e agora
não consegue parar. A minha preocupação é
lá na frente, em ter que conviver com o cigarro e voltar a brigar
novamente. De tanto brigar por causa do cigarro, estou perdendo o interesse
nele. O que devo fazer? Ter paciência e esperar que ele pare? Arriscar-me
no futuro? (Kiki)
Kiki,
realmente deve ser muito difícil para o não fumante ficar
perto de quem fuma. A sua preocupação demonstra o quanto
você gosta do seu namorado. Você consegue perceber os malefícios
físicos que o vício traz, agora e no futuro, tanto para
o fumante como para quem convive com ele.
Além do cheiro que o cigarro deixa nas roupas, no corpo
e no ambiente, sua fumaça é cancerígena para quem
a traga e também afeta, por tabelinha, quem é fumante passivo.
Mas o pior mesmo, para quem está próximo, é sofrer
por saber o que o fumante faz consigo mesmo. Antes de correr o risco de
se tornar uma pessoa chata por ficar insistindo em que ele pare de fumar,
você terá que avaliar o quanto o ama e se está disposta
a passar por tudo isso junto com ele.
Pense também no que irá fazer se ele quiser
continuar fumando, pois, apesar de o fumante saber dos danos que o cigarro
acarreta, ele não consegue parar de fumar facilmente. Ele se torna
dependente químico e psíquico da nicotina, o que é
semelhante a outras drogas.
Outro ponto importante é diferenciar se ele quer mesmo
parar de fumar ou apenas diz que quer. Ele pode não estar disposto
a investir toda sua energia para conseguir isso...
Se a decisão dele for, de fato, parar de fumar, talvez
seja necessária ajuda médica e mais: ele tem que aprender
a suportar a ansiedade e enfrentar as dificuldades que extravasa ou alivia
com o uso da nicotina. Por isso, sugerimos que, junto com o tratamento
medicamentoso, ele faça também psicoterapia. Assim como
em todas as dependências químicas, não existe cura,
só o controle. Mesmo após muito tempo sem fumar, se ele
pegar um cigarro, o vício voltará e o processo de parar
novamente será ainda mais difícil que da primeira vez.
Para ajudá-lo, procure auxiliar na observação
daquilo que o faz querer fumar. Converse bastante com ele sobre isso,
disponha-se a estar com ele, mesmo que por telefone, quando a vontade
de fumar for muito intensa. Lembre-o de que em pouco tempo ela vai embora,
desde que ele consiga superar o momento. Cá entre nós,
seria muito bom que mais pessoas assumissem sua atitude de querer preservar
a saúde tanto sua, quanto dele e, quem sabe, dos filhos que possam
vir a ter.
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