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Nippo-Jovem:
Como é viver do judô no Brasil?
Luiz Shinohara: O judô brasileiro
tem ganhado credibilidade. Após as vitórias (só no
ano passados foram seis medalhas de ouro no masculino nos Jogos Pan-Americanos
Rio, quatro medalhas no campeonato Mundial, realizado na Arena Multiuso,
no Rio, e o vice-campeonato mundial por equipes, obtido na China) conseguimos
dar condições para o atleta acreditar que ele pode vencer
e com isso vem os resultados positivos. Todo esse trabalho é realizado
por um grupo extremamente disciplinado.
NJ:
Quando jovem, como decidiu que gostaria de seguir a carreira de judoca?
Seus pais o apoiaram?
Shinohara: Com cinco anos comecei a fazer judô e aos 17 anos
já estava na seleção brasileira. Então, decidi
que era isso que queria para a minha vida. Em relação aos
pais, acredito que na minha época, eles apoiavam muito mais. Hoje
em dia, não vejo os pais incentivando muito os filhos a seguirem
na carreira esportiva.
NJ:
Você chegou a fazer faculdade?
Shinohara: Não fiz faculdade. Cheguei até o 2º
ano de Educação Física e acabei parando por causa
dos treinamentos e das viagens. Mas, apesar disso, acho que é possível
conciliar o esporte com os estudos.
NJ:
A sua vida hoje é dedicada exclusivamente ao judô, ou tem
outro trabalho paralelo? E no passado? Trabalhou em outra área?
Shinohara: As minhas atividades sempre estão relacionadas com
o judô. Quando não estou na seleção, vou para
a academia que era do meu pai (Massao Shinohara é um dos maiores
judocas da história do país e treinou o medalhista olímpico
Aurélio Miguel).
NJ: Qual a importância da cultura japonesa em sua vida?
Shinohara: Para a prática do judô, seguir a cultura japonesa
é fundamental. Os nossos atletas assumiram um pouco dessa cultura.
Toda a essência dessa modalidade vem do Japão, desde a disciplina
até a filosofia utilizada. As relações, pelo menos
comigo, sempre foram muito boas. Nunca me senti prejudicado por ser descendente.
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